quinta-feira, 5 de dezembro de 2013

Seu aniversário

Meu primeiro professor. Meu educador. Em casa aprendi a respeitar as pessoas, a dividir o que tenho, mesmo que seja pouco. Sempre haverá alguém que necessita mais do que eu. Aprendi que não devemos alimentar apenas o corpo, a alma também precisa ser saciada.
Com ele, aprendi que não posso ganhar sempre. Aprendi que devemos amar a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a mim. Aprendi que somos todos iguais perante o Criador. Quantas vezes, esse Vicentino entrou em favelas, dando pão e acalanto às pessoas necessitadas...
Devo a ele a mulher que sou: forte, batalhadora, honrada, ética e justa. Ele me ensinou que não há nada melhor que poder colocar a cabeça no travesseiro e dormir em paz, ciente de que ao menos tentou ser uma pessoa melhor que ontem.
Homem de caráter, que buscou me dar uma ótima educação, princípios morais e religiosos. Seu coração exultava quando me via tocando violão ou fazendo leituras na missa dos jovens.
Marido maravilhoso, pai carinhoso, todas as noites, eu fingia estar dormindo só para que ele me levasse à cama. Subia as escadas e me levava para o quarto sem nunca esboçar cansaço ou descontentamento. Com certeza, ele sabia que eu queria esse cuidado.

Filho e irmão dedicado, tio presente. Amigo de meus amigos. Não havia uma pessoa amiga, um familiar que não gostasse dele. Inesquecível, nas conversas, ele sempre é lembrado com muito carinho e respeito.
Paizinho, hoje estaria completando 91 anos. O céu está em festa, tenho certeza. Lá, pode encontrar sua mãezinha, que o deixou tão cedo. Seu pai, e tantas pessoas que foram chegando por aí.
Muitas vezes, alguém chegava perto de meu filho e ele abria os bracinhos fazendo festa. Eu tinha certeza que era o senhor que vinha abraçar seu neto primogênito. Hoje, nessa celebração de seu aniversário, vocês comemoram juntos. Sei que cuida de meu filho, com o mesmo amor e dedicação que cuidou de mim aqui.
Partiu cedo, deixou saudade infinita e eterna. Amo-o incondicionalmente. Se me fosse dada a oportunidade de escolher um pai novamente, com certeza, seria o senhor.
Escrevendo, sinto seu abraço, seu amor. Sei que cuida de mim e me protege como sempre fez. Feliz aniversário meu querido pai.

Beijo carinhosamente sua face serena.

Sua filha Nizamar

Nizamar Oliveira 05/12/2013

quinta-feira, 28 de novembro de 2013

Dois anos sem você!

Amor de mãe é mágico, é mais que incondicional, é visceral. Sente-se nas entranhas o crescimento daquele pequeno ser. Carrega-se 9 meses no ventre, alimentando-o de seu próprio sangue. 


Depois, seu leite o fará crescer, ficar forte e saudável.Lembro-me quando o peguei em meu colo pela primeira vez. Foi há 29 anos, mas tenho a imagem gravada em minha mente. Me senti 10 anos mais velha. Eu sabia que se não o alimentasse, sentiria fome, não cuidasse de sua higiene, ficaria sujo, assado, incomodado. Era o peso da responsabilidade, mas a felicidade de tê-lo em meus braços, era imensamente maior e eu senti então, que estávamos unidos pela eternidade.











Não sei se um dia esquecerei do último adeus há exatos dois anos. Mas, a imagem que guardo sua, é dos momentos de alegria, cumplicidade.




Hoje, fui até o Mosteiro São Bento e senti que estava lá, em absoluta paz, envolto em luz e muito feliz. Agora, está em sua morada, o lugar para onde sempre desejou voltar.







Ganhei abraços, carinho, palavras de conforto. Senti sua presença durante todo esse dia. Você esteve nas orações e melhores vibrações.
Sinto muito sua falta, sei que um dia nos encontraremos novamente. Fique bem, meu amado filho e permaneça em sua evolução.
Te beijo. Mamãe. 27/11/2013

Nizamar Oliveira

sábado, 12 de outubro de 2013

Hoje é dia de criança

Vi  tantas fotos de crianças no Facebook, que fiquei com vontade de dar uma vasculhada em minha caixa de fotos. Já tive álbuns, vários de viagens, outros tantos de aniversários, cotidiano e outros mais.
As circunstâncias me fizeram mudar o padrão e, salvo álbuns de formatura, primeira comunhão, crisma, deixei tudo solto e fora de qualquer ordem cronológica. 





Confesso, ficou muito melhor, a viagem ao tempo não tem ponto de partida, nem ponto de chegada. A memória vai e vem, em um traçado que, por vezes, mais parece um emaranhado de lembranças e situações.

Não busquei minhas fotos de criança, essas estão em um álbum muito antigo e que, montei depois de adulta, transcrevendo o que meu pai havia colocado no verso das fotos. Lembro-me, na ocasião, de todo o cuidado e carinho que tive ao elaborar esse álbum, buscando fazê-lo, exatamente como meu pai teria feito. Ele era meticuloso em datas, e seus comentários sempre foram um deleite para mim. Meu pai tinha a alma de poeta.



Fui selecionando muitas fotos, a cada uma, uma deliciosa lembrança. Saudade de pessoas, de lugares, para minha surpresa, consegui olhar todas as fotos de meu filho e relembrar aquele tempo gostoso que ele era uma criança feliz. Foi um misto de saudade e alegria por ter a felicidade de ter essa pessoa tão especial em minha vida. Vê-lo pequenino, sorrindo me fez lembrar o quanto ele revolucionou a minha vida, a pessoa melhor que me tornei e que continuo me empenhando em ser.



Essas fotos foram me retemendo à histórias, momentos bons de minha vida, e pude perceber que ser criança não tem idade. Estar com elas já nos remoça muito. E ser criança tem tantos significados.
É ser super-herói,
Índio,
Árvore,
Pirata,
Palhaço,
Roqueiro,
Bruxo e
Soldado.


É lambuzar a cara de chocolate ou de sorvete.


É fazer novos amigos.


Comemorar aniversário.









É "meditar" debaixo da cama.
Dormir e acordar sorrindo (tudo bem, na foto está fingindo que acorda)


É ganhar um monte de presentes.
É ganhar colinho.
É se esconder embaixo da mesa.

É "pensar" que está na Internet.
É voltar a ser criança e pegar o presente com o Papai Noel.

É rir e chorar com gosto.
É se encher de bijuteria da "tia" Niza.
É se esconder nas cadeiras. 
É brincar de balanço.

É deitar na Av. Paulista no dia 31 de dezembro.
É tocar violão, jogar bola, andar de carrinho...

E, ao ver estas fotos, concluo que ser criança é celebrar a vida em todas as suas nuances, sem expectativas, aproveitar cada segundo de felicidade, é ser despido de pré-conceitos, falar o que sente, estar com quem ama, tudo isso misturado ao doce sabor da inocência e pureza.

 Então, este é o segredo, a receita, a fórmula secreta que o dia a dia nos furta, com a nossa permissão. Não quero aceitar esse "sequestro" da felicidade, não sem lutar. Porque quero que todos os dias sejam "de criança".



Feliz dia nosso, vamos brindar com a criança que habita em nós.
Nizamar - 12/10/2013



sexta-feira, 26 de julho de 2013

Uma mensagem à vovó Eleonora por Tiago Vieira

Vovó, há 29 anos, minha mãe chegou em casa e lhe entregou uma caixa de bombons, em meu nome.
Eu era tão pequenino, tinha apenas  4 meses. Deste ano em diante, nunca mais me esqueci desse dia. Minha mãe sempre comprava uma lembrancinha para que eu a entregasse. Depois, quando eu fiquei maior, eu mesmo as escolhia e sempre imaginava a sua expressão ao receber meu presente.





Por 27 anos, eu nunca esqueci desse dia, busquei estar sempre com você nessa data. Você foi mais que uma avó para mim. Sabe, agora, tenho a oportunidade de rever os acontecimentos de minha última passagem terrena e guardo esta lembrança: eu era muito pequeno, mas meu coraçãozinho vibrava, mesmo sem poder explicar o motivo, todas as sextas-feiras. Era um dia especial para mim. Você saía mais cedo de seu trabalho e eu podia ir para casa mais cedo também.
Como agradecer por ter cuidado de mim, com tanto carinho? Depois, quando estava maior, em outra escola, minha mãe podia trabalhar tranquila, pois sabia que eu estava sob seus cuidados. Sei que cheguei em um momento especial. Eu sabia que teria a missão de aquecer seu coração, por ter perdido tão bruscamente o homem que você tanto amou, e com o tempo, você e minha mãe me ensinaram a amar e admirar: o meu avô.
Hoje, vovó, entendo seus conselhos. Aqui, estou tendo a oportunidade de evoluir e compreender tudo o que fez por mim. Obrigado vó, por sempre acreditar em mim, por me amar tanto, por ter me defendido com unhas e dentes tantas vezes.
Vó, me desculpe se muitas vezes a decepcionei, se não fui o neto que desejava. Sabe, nem sempre conseguimos satisfazer os anseios dos entes queridos. Na realidade, nem nossos próprios anseios, imagine de outras pessoas.
Desculpe-me pelas lágrimas que causei, por minha ausência. Vou confessar-lhe algo que nunca tive coragem de dizer, mas à minha mãe, confidenciei várias vezes. Eu não conseguiria suportar vê-la envelhecendo vovó, seria uma dor profunda ver aquela mulher forte, que sempre me defendeu ser tomada pela idade. Toda vez que eu imaginava essa hipótese, eu chorava demais. Na verdade, acho que nunca estive preparado para o envelhecimento, nem o meu, nem das pessoas que sempre amei. É algo que sempre me causou pavor.
Querida vovó, quero lhe agradecer por rezar todos os dias por mim. Suas orações tornaram minha passagem mais branda e foi mais fácil compreender o que estava acontecendo. Graças às suas orações, pude encontrar meu avô, que hoje, posso comemorar com ele, este dia. Continue rezando por mim e quando olhar para o céu e avistar uma estrela brilhando, tenha certeza que sou essa luz em sua vida.
Minha amada avó, aqui, em minha nova morada, estamos em festa. Estou junto de meu avô, comemorando com ele e, com você em nossos corações, que sempre lhes pertencerão.  Sei o quanto é sensível e perceptiva, por isso, hoje, quando sentir uma brisa morna, um beijo suave em seu rosto e uma carícia em seus lindos cabelos, saiba que estou com você neste dia.
Fique bem minha estimada avó, hoje, você está com meus priminhos, que deixei por aí, e que sinto tanta falta deles. Saiba que sou seu admirador e que a amo desde o momento que soube que seria seu neto primogênito. Obrigado por existir em minha vida e por me manter aceso em seu coração, mesmo estando em dimensões distintas. A amo eternamente. Beijo seu rosto suave e enternecedor. Seu neto, Tiago Vieira (Nizamar Oliveira 26/07/2013)


sexta-feira, 12 de julho de 2013

Sonhos...




Esta noite eu sonhei com você. Era tão real, que matei um pouco da saudade que sinto.
Deitado do meu lado, como sempre gostava de fazer, eu beijava aquele rostinho inocente e macio do meu menino tão doce e indefeso.



Eu pegava seus pés e beijava, fazia cócegas. Você ria gostoso, tirava os pés de minhas mãos para conter as cócegas e, em seguida, me dava seus pezinhos para que eu continuasse a beijá-los.
Depois, adormeceu com um sorriso em seu rosto sereno. E eu o beijava e dizia palavras doces. Lembro-me claramente dizer amar você demais. Disse-lhe da sua importância em minha vida, o quanto havia mudado minha vida, meus planos, meus pensamentos, minhas atitudes.








Você era tão pequenino, minha adoração... Eu o admirava, encantada. Como pude gerar e trazer ao mundo um ser tão lindo, tão perfeito? Sim, eu sabia que você, naquele momento me pertencia por completo.
Meu amorzinho, esses nossos encontros acalantam meu ser, aquecem meu coração e tenho certeza que o mesmo acontece com você.
Amo você eterna e incondicionalmente, meu coração pulsa com o seu e por você.


Beijo esse rosto que hoje sei, está sereno e feliz.

Nizamar Oliveira - 12/07/2013. 

sábado, 22 de junho de 2013

Moça, o que é ser feliz?

Absorta em sua leitura, sequer sentiu o toque suave daquela pequenina mão. Mas, aquele pequeno anjo não desistiu e insistiu em tirar sua atenção do livro. Na segunda vez, ela percebeu o chamado daquela criança. Enternecida com aquele sorriso brando, ela olhou para ele e tocou em seus cabelos macios.
Então, ele perguntou para ela: - Moça, o que é ser feliz? Como não ceder a esse encantamento? Ela fechou o livro, o colocou em sua mochila, pegou nas mãos da criança e perguntou: - Sabe andar de bicicleta? Com os olhos brilhando de alegria ele respondeu: - Sim, sou muito bom nisso! Ela respondeu: - Ótimo, vamos alugar duas bicicletas e, enquanto estivermos pedalando pelo parque, mostro para você o que é ser feliz.

E saíram pedalando pelo parque, pararam para comer algodão doce, tomaram um sorvete e se lambuzaram todo, lamberam os dedos, comeram pipoca, tomaram refrigerante. Paravam um pouco aqui, um pouco ali, admirando os transeuntes, os pássaros, um lagarto cruzou por eles, um esquilo os aguardava em uma árvore. Uma criança soprava bolhas de sabão e sua irmãzinha, extasiada, corria atrás delas.
Depois, pararam diante de um vendedor de balões e o menino escolheu aquele que tinha seu super-herói favorito. Colocou em seu pulso para não perdê-lo e deu um beijo nela em agradecimento.


Cansados, devolveram as bicicletas e sentaram em um banco. Olhando para aquela criaturinha tão inocente, com suas bochechas que antes eram rosadas, agora vermelhas e o suor escorrendo em seus cabelos, ela perguntou: - Gostou da nossa aventura no parque? Ele consentiu com a cabeça e confessou que não podia imaginar que aquele lugar pudesse lhe oferecer tantas alegrias e prazeres. Então ela lhe disse que tudo aquilo era ser feliz.
Ele a abraçou e disse: - Então ser feliz é ser criança? Sendo assim, não quero crescer nunca. Ela olhou pacientemente para ele e respondeu: - Você pode crescer o quanto puder e desejar, só não pode adormecer a criança que sempre estará dentro de você.



E ela voltou para casa feliz por ter despertado sua criança e ele, com seu balão colorido, acenava em sua direção. Foram embora levando consigo muito do outro e deixando um pouco de si... (Nizamar Oliveira)

quinta-feira, 20 de junho de 2013

Um amor inexplicável

Após um beijo longo e apaixonado, ele a aninhou em seus braços. Sentindo-se a mulher mais amada do universo, ela recostou sua cabeça no colo dele.
Ele começou a brincar com seus cabelos, olhando-a com ternura. Acariciando seu rosto, começou a dizer-lhe palavras encantadoras. Tudo o que ela mais gostava. Que era linda, carinhosa, especial, que a adorava. Enquanto ouvia extasiada, como se fosse a primeira vez, ela lembrava, com uma leve pontada de dor em seu peito, que as palavras dele tinham a beleza e a temporalidade de uma bolha de sabão.
E quando ele decidia que tinha que ir embora,  era sempre ele que decidia a hora de ir embora, ela sabia que tudo estava acabado, até o momento em que ela conseguisse um novo encontro. E, ela nunca sabia quanto tempo exatamente demoraria esse novo encontro.
Por que tinha que ser sempre assim? Por que ele escapava dela entre os dedos? E quando estava sozinha novamente os sentimentos se misturavam. Era como se uma ventania passasse pela praia, levando tudo, atirando para longe esteiras, guarda-sóis, chapéus. Era um turbilhão de sentimentos. Sentia-se feliz, lembrando dos momentos bons, o gosto do beijo ainda em sua boca. E, ao mesmo tempo que se sentia a mais completa das mulheres, se sentia totalmente despedaçada, partida como um frágil vidro. Aquela confusão de sentimentos a atormentava, todas as vezes que o via, ou conversava com ele.
Pareciam um casal perfeito, felizes, andavam de mãos dadas como eternos apaixonados, trocavam carícias. Mas, tudo acontecia com a mesma intensidade de uma chuva de verão, que molha o chão e o calor evapora suas gotas em pouco tempo.
E, mais uma vez, ela voltou para casa, sozinha. Até o próximo encontro. Ou até ela se cansar e não mais procurar por ele. Engolir seu amor, passar a se amar mais e abrir caminhos para novas pessoas, novos pensamentos, novos ideais. E assim, engrossar a fila dos amores não resolvidos, esquecidos, perdidos no caminho...


(Nizamar Oliveira - 20/06/13)

terça-feira, 14 de maio de 2013

Viver por completo


Não sei viver pela metade. Sou assim, intensa, inquieta, intuitiva, apaixonada...
Viver insatisfeita não é minha praia, se não estiver bom, faço as malas e vou em busca da minha felicidade. Meu coração está no comando. Às vezes, ele me levou para caminhos duvidosos, cheios de escarpas. Em outras palavras, por causa do meu coração já me estrepei legal... Mas, ao menos, eu tentei. Não fico olhando o tempo passar pela janela, definitivamente, não consigo.
Me reinvento, busco alternativas e acima de tudo... Busco ser feliz. Me permito sonhar, colocar minhas asas e voar, sou pura emoção. Mas, não negligencio a razão. Quando ela me alerta que devo colocar os pés novamente em solo firme, eu a obedeço. Às vezes, contrariada, mas logo, entendo porque.
Não conheço um porto seguro imóvel. Me quebro por completo, me reconstruo, vou até o chão e me ergo revitalizada, revigorada, pronta para um novo desafio.
Mas, que seja sempre por completo, meias verdades, amor pela metade, satisfação profissional incompleta, nada disso me permito. Vou em busca do completo, do repleto. Restos, sobras, raspas, foram excluídos do dicionário de minha vida.
Não deu certo? Não me permito lamentar. Posso chorar, espernear, me frustrar, mas apenas pelo tempo necessário. Apago, recomeço, viro a página, coloco um alfinete nela para que não desvire e, em seguida, ateio fogo. Sei que vou errar, mas que sejam novos erros... (Nizamar Oliveira)


domingo, 12 de maio de 2013

Os infortúnios ocultos

É a terceira vez que leio este texto. Ele me surpreende e emociona sempre.
Exemplo maravilhoso das palavras de Jesus: "Que a mão esquerda não saiba o que faz a direita"


"Nas grandes calamidades, a caridade se agita, e vêem-se generosos impulsos para reparar os desastres. Mas, ao lado desses desastres gerais, há milhares de desastres particulares, que passam desapercebidos, de pessoas que jazem num miserável catre, sem se queixarem. São esses os infortúnios discretos e ocultos, que verdadeira generosidade sabe descobrir, sem esperar que venham pedir assistência.
Quem é aquela senhora de ar distinto, de trajes simples mas bem cuidados, seguida de uma jovem que também se veste modestamente? Entra numa casa de aspecto miserável, onde sem dúvida é conhecida, pois à porta é saudada com respeito. Para onde vai? Sobe até à água furtada: lá vive uma mãe de família, rodeada de filhos pequenos. À sua chegada, a alegria brilha naqueles rostos emagrecidos. E que ela vem acalmar todas as suas dores. Traz o necessário, acompanhado de suaves e consoladoras palavras, que fazem aceitar a ajuda sem constrangimentos, pois esses infortunados não são profissionais de “mendicância”. O pai se encontra no Hospital, e durante esse tempo a mãe não pode suprir as necessidades.
Graças a ela, essas pobres crianças não sofrerão nem frio nem fome, irão à escola suficientemente agasalhados e no seio da mãe não faltara o leite para os menorezinhos. Se uma entre elas adoece, não lhe repugnará prestar-lhe os cuidados materiais. Dali seguirá para o hospital, levar ao pai algum consolo e tranquilizá-lo quanto à sorte da família. Na esquina uma carruagem à espera, verdadeiro depósito de tudo o que levar aos protegidos, que visita sucessivamente. Não lhe pergunta pela crença nem pelas opiniões, porque, para ela, todos os homens são irmãos e filhos de Deus. Fim da visita, ela diz a si mesma; Comecei bem o meu dia. Qual o seu nome? Onde mora? Ninguém o sabe. Para os infelizes, tem um nome que não revela a ninguém, mas é o anjo da consolação. E, à noite, um concerto de bênçãos se eleva por ela ao Criador; católicos, judeus, protestantes, todos a bendizem.
Por que se veste tão simplesmente? Para não ferir a miséria com o seu luxo. Por que se fez acompanhar da filha adolescente? Para lhe ensinar como se deve praticar a beneficência. A filha também quer fazer a caridade, mas a mãe lhe diz; Que podes dar, minha filha, se nada tens teu? Se te entrego alguma coisa para dares aos outros, que mérito terás? Serei eu, na verdade, quem farei a caridade, e tu quem terás o mérito? Isso não é justo. Quando formos visitar os doentes, ajudar-me-ás a cuidar deles, pois dar-lhes cuidados é dar alguma coisa. Isso não te parece suficiente? Nada mais simples; aprende a fazer costuras úteis assim confeccionas roupinhas para essas crianças, podendo dar-lhes alguma coisa de ti mesma. É assim que esta mãe verdadeiramente cristã vai formando sua filha na prática das virtudes ensinadas pelo Cristo. É espírita? Que importa?
Para o meio em que vive, e mulher do mundo, pois sua posição o exige, mas ignoram o que ela faz, mesmo porque não lhe interessa outra aprovação que a de Deus e de sua própria consciência. Um dia, porém, uma circunstância imprevista leva a sua casa uma de suas protegidas, para lhe oferecer trabalhos manuais. Psiu! – Disse-lhe ela – não contes a ninguém Assim falava Jesus." Allan Kardec (E.S.E)

Dia das mães


Embora eu não tenha  meu filho comigo para comemorarmos juntos o meu dia, tenho muito a agradecer.  Deus me deu o dom da maternidade e pude desfrutá-la por 27 anos. Senti e vivi as dores e delícias de ser mãe.
Lembranças da expectativa de estar ou não grávida, a resposta positiva, a felicidade, os enjoos, a barriga crescendo, o momento do nascimento. Aniversários, batizado, primeira comunhão, crisma, formaturas, a primeira palavra, os primeiros passos. Pude vivenciar tudo isso.

Hoje, posso compreender que tínhamos um plano a cumprir, aceitei a maternidade conhecedora de todos os problemas e todas as alegrias que enfrentaria. Ser mãe de menino é receber constantes elogios, é ser amada como uma rainha, é ganhar beijo na boca todos os dias, é brincar de carrinho, conhecer super-heróis, assistir filmes e desenhos de ação e aventura.


Ser mãe de um adolescente é não permitir que outra mulher o faça sofrer, por conhecer tão bem o universo feminino, é ter um companheiro que anda abraçado. Ser mãe de um jovem e adulto é querer tomar para si as dores do amadurecimento, mas saber que ele precisa passar por tudo isso sozinho. E como dói tudo isso, como é difícil dar asas de liberdade.
Tínhamos data para iniciar e data para encerrar nossa convivência neste plano, dizem que não deveria ser permitido uma mãe não ter mais seu filho ao seu lado. Mas, é... E por isso, devo continuar meus passos.
Por isso, não vejo motivos para me lamentar ou ficar imaginando como poderia ter sido diferente. Foi exatamente como deveria ser, e como aceitei ser.



Obrigada, meu filho, por me escolher por sua mãe nesta existência. Amo você com a mesma intensidade e incondicionalidade de quando aceitei ser sua mãe. (Nizamar Oliveira)


segunda-feira, 6 de maio de 2013

O que cabe em um abraço?


Em um abraço cabe um acalanto
Cabe um encanto
Cabe o conforto
Cabe uma dor
Cabe uma alegria
Cabe uma tristeza
Cabe um mundo
Cabe uma esperança
Cabe uma criança
Cabe um filho
Cabe um pai
Cabe uma mãe

Cabe uma lágrima
Cabe um sorriso
Cabe uma palavra não dita
Cabe uma amizade
Cabe a cumplicidade
Cabe o perdão
Cabe o universo
Cabe todos os sentimentos
Cabe o maior dos sentimentos
Cabe o AMOR!
Nizamar Oliveira - 06/05/2013


quarta-feira, 6 de março de 2013

Um encontro inesquecível e especial


A agitação está grande. Um grupo conversa combinando sobre o evento que acontecerá. Esse grupo é composto por Chopin, Mozart, Bach, Beethoven. Logo adiante, Tom Jobim, Baden Powell, Pixinguinha, Noel Rosa. Juntaram-se a eles o Maluco Beleza e Janis Joplin.
Mas, não era apenas um encontro da música em sua mais complexa tradução. Vieram muitos escritores, dentre eles Edgard Allan Poe, Oscar Wilde. O cinema também esteve presente Akira Kurosawa, François Truffaut, Charles Chaplin, Federico Fellini.
Todos olhavam admirados, era muito esmero, no rosto suas mais marcantes expressões que os eternizaram por aqui.
A curiosidade, algo um pouco incomum no plano em que se encontram, era geral. Nunca se vira, até então, um encontro tão complexo, por que não dizer, paradoxal?
Estavam todos com um único pensamento, encontrar alguém que sempre os admirou, que de sua forma, levou a música, as palavras, o cenário para seus amigos.



Foi um encontro extraordinário. Despreocupado, o anfitrião estava sentando ouvindo uma música, lendo um bom livro e se edificando. Se aqui ele se preocupou em edificar o pensamento, no plano em que se encontra, sua maior preocupação é edificar a alma.
Mas, quem será esse anfitrião, que sequer sabe que o é? E os grupos foram chegando aos poucos, sem muito alarde. O anfitrião então olha um a um e os cumprimenta calorosamente chamando cada um por seu nome. Será que não é o primeiro encontro? De onde se conhecem? Devidamente acomodados, o anfitrião não cabe em si de tamanha alegria. Durante toda sua vida terrena, jamais poderia vislumbrar um encontro tão distinto e maravilhoso.
E quando o dia 06 de março apontou no calendário, todos o abraçaram em confraternização. Esse foi o presente de aniversário para um admirador de todos esses citados e tantos outros que não surgem em minha memória, no momento.
Feliz aniversário, meu filho. Hoje, você estaria completando 29 anos.
AMO VOCÊ ETERNAMENTE
(Nizamar Oliveira)


sábado, 2 de março de 2013

Novos olhares para antigos lugares


“A verdadeira viagem do descobrimento não consiste em procurar novas paisagens, mas em ver com novos olhos”. Marcel Proust
Ver novos lugares ou ver com novos olhos os antigos lugares? Quantas vezes deixamos de lado a beleza e o encantamento de um lugar por já conhecê-lo? Por que a correria de nossos dias tira esse encantamento de nossos olhos?
Parque da Cidade
                                               
Parque da Cidade



Quantas vidas cabem em uma árvore? 
                                       

Parque Santos Dumont

Parque Santos Dumont

Parque Vicentina Aranha




Carnaval, São José dos Campos e seus parques com belíssimas paisagens. Fui decidida a tirar muitas fotos, fruir com o lugar e, óbvio, abraçar uma árvore. Adoro doar minha energia e receber a energia da árvore. É o dom da dádiva.
Crianças são nossos melhores professores da vida. Elas sempre têm algo a descobrir, a explorar. Em que momento exato, esse cordão se rompeu, e deixamos de lado a curiosidade, o desejo do novo, das descobertas?




Não sei quando foi, mas voltei a andar por aí com um “olhar novo”. Desfruto cada cena que se passa diante de mim, como uma criança.





Meses atrás, deparei-me com um bebê interagindo com uma árvore no Jardim Botânico. Não resisti, registrei esse momento. A professora que estava comigo, registrou o olhar curioso de um italianinho muito fofo e simpático, admirando um lagarto que, assustado, sumiu entre as folhagens.

Dove si trova la lucertola? Em Jardim Botânico de São Paulo
Bom dia dona árvore... Em Jardim Botânico de São Paulo


Cada dia de nosso carnaval, um parque diferente, com novas sensações e interações. E, nada como uma moradora local para nos contar as histórias de cada um deles. Embora eu já os conhecesse, foi muito bom estar de novo por lá. Cada vez, descubro mais a minha necessidade de estar com a natureza, refazer minhas energias. Aliás, cada vez, me descubro mais... E tenho me surpreendido comigo mesma, a cada momento.
       E quem disse que os dias de carnaval se limitaram aos parques? Tivemos um festival gastronômico particular, encerrando com um delicioso almoço e um bolo de chocolate feito especialmente para a aniversariante: EU!




Farra Gastronômica


Meu cartão de aniversário







Meu cartão de aniversário

Obrigada, minhas amigas maravilhosas que fizeram meu aniversário ser especial! (Nizamar Oliveira)