Absorta em sua leitura, sequer sentiu o toque suave daquela
pequenina mão. Mas, aquele pequeno anjo não desistiu e insistiu em tirar sua
atenção do livro. Na segunda vez, ela percebeu o chamado daquela criança.
Enternecida com aquele sorriso brando, ela olhou para ele e tocou em seus
cabelos macios.
Então, ele perguntou para ela: - Moça, o que é ser feliz?
Como não ceder a esse encantamento? Ela fechou o livro, o colocou em sua
mochila, pegou nas mãos da criança e perguntou: - Sabe andar de bicicleta? Com
os olhos brilhando de alegria ele respondeu: - Sim, sou muito bom nisso! Ela
respondeu: - Ótimo, vamos alugar duas bicicletas e, enquanto estivermos
pedalando pelo parque, mostro para você o que é ser feliz.
E saíram pedalando pelo parque, pararam para comer algodão
doce, tomaram um sorvete e se lambuzaram todo, lamberam os dedos, comeram
pipoca, tomaram refrigerante. Paravam um pouco aqui, um pouco ali, admirando os
transeuntes, os pássaros, um lagarto cruzou por eles, um esquilo os aguardava
em uma árvore. Uma criança soprava bolhas de sabão e sua irmãzinha, extasiada,
corria atrás delas.
Depois, pararam diante de um vendedor de balões e o menino
escolheu aquele que tinha seu super-herói favorito. Colocou em seu pulso para
não perdê-lo e deu um beijo nela em agradecimento.
Cansados, devolveram as bicicletas e sentaram em um banco.
Olhando para aquela criaturinha tão inocente, com suas bochechas que antes eram
rosadas, agora vermelhas e o suor escorrendo em seus cabelos, ela perguntou: -
Gostou da nossa aventura no parque? Ele consentiu com a cabeça e confessou que
não podia imaginar que aquele lugar pudesse lhe oferecer tantas alegrias e
prazeres. Então ela lhe disse que tudo aquilo era ser feliz.
Ele a abraçou e disse: - Então ser feliz é ser criança?
Sendo assim, não quero crescer nunca. Ela olhou pacientemente para ele e
respondeu: - Você pode crescer o quanto puder e desejar, só não pode adormecer
a criança que sempre estará dentro de você.
E ela voltou para casa feliz por ter despertado sua criança
e ele, com seu balão colorido, acenava em sua direção. Foram embora levando
consigo muito do outro e deixando um pouco de si... (Nizamar Oliveira)



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