sábado, 29 de agosto de 2020

Quando desabei

E, nesse isolamento, eu desabei

Porque em minha dor, eu choro

As lágrimas salgam meu rosto

Mas, lavam a minha alma

 

Porém a dor do outro

É do outro, e dói em mim.

E o sal do meu choro

Não acalanta minha alma

 

Sim, Pai, eu sei que a dor

É de quem tem

Cura, Senhor

A dor de quem eu amo

 

Ameniza a dor das pessoas

Que estão longe fisicamente

E que moram em meu coração

Abraça-nos em seus braços de Amor e Bondade.

 


Nizamar Oliveira – 29/08/2020

 

 

 

domingo, 23 de agosto de 2020

Houve um tempo


Houve um tempo

Ah, como era bom esse tempo!

Em que, além do coração,

Abríamos as portas de nossas casas.

E as pessoas podiam conversar

E trocar abraços sem medo

As crianças sentadas ao redor da mesa

Saboreavam as delícias preparadas pela vovó

Nas tardes de domingo, regadas a amor e carinho.

Amigos e familiares se reuniam com imensa alegria.

Estranho seria, não haver essa união, essa confraternização.

Ah, como era bom...

 

Mas, como boa aquariana

Me atenho ao retrovisor da vida

Tão somente para não cometer os mesmos erros do passado

Então, de súbito, me despeço do retrovisor

Voltando meu olhar ao para-brisa de minha vida

E logo mais adiante,

Vislumbro novos abraços, novos encontros

Bolo e café em torno de uma mesa

Com amigos e familiares

Com um sabor diferente

Com uma riqueza de valores

E esse dia, algo me diz,

Não demora a chegar.

 

Nizamar Oliveira 23/08/2020

 

 

 

 

 

sábado, 22 de agosto de 2020

Não vá ainda



Não parta agora que me enlaço em seu abraço

É cedo amor

Temos tantas coisas a dizer

Temos tantas carícias a fazer.

 

Não vá ainda

Meu corpo ainda quer o seu

Meus lábios ainda sentem os seus.

 

Nosso ninho de amor ainda está quente

Nossas roupas se perderam

Então, por que partir?

 

A noite nem chegou

E temos tanto tempo para o amor

O dia está partindo

E nossos corpos se clamam.

 

Por que insiste

Em não ficar

Se ainda não está saciado?

 

Por que teima em se ir

Se o que mais deseja é ficar

E se entregar aos delírios do amor?

 

Fica, amor

Vamos nos amar

Vamos nos saciar

Até o próximo dia raiar.

 

Nizamar Oliveira – 22/08/2020


domingo, 16 de agosto de 2020

E de repente...

E de repente, tudo mudou

Ninguém nos consultou

E tivemos que nos adaptar.

 

Uns, se adaptaram tão bem

Que em um breve olhar

Imaginaríamos estarem há muito nessa situação.

 

Outros, tropeçam, erram

Mas, não desistem

Seguem adiante, tentando e tentando.

 

Há ainda, os que se acomodaram

E olham a vida pela janela

Esperando tudo isso passar.

 

Cada um levará uma mensagem

Cada um terá um aprendizado

Porém, ninguém permanecerá igual.

 

O que era tão natural

Tornou-se um grande desejo

Quem imaginaria que não poderíamos:

 

Poder abraçar e tomar no colo uma nova vida

Dar o último adeus aos que se foram deste plano

Abraçar e beijar os entes queridos?

 

Tudo ficou perigoso

Olhamos desconfiados

Para aqueles que se aproximam de nós.

 

O medo percorre as ruas e casas

Entra nas frestas das portas e janelas

Silenciosamente!

 

Que tudo isso acabe logo

Rogo a Deus todos os dias

E agradeço por me proteger e me conceder tantas graças.

 

Que o novo normal seja mais pleno

Que nos alimentemos de humanidade

Que sejamos melhores.

 

Nizamar Oliveira – 16/08/2020

 

 

 

sábado, 15 de agosto de 2020

Ah, como seria bom!


Ah, como seria bom

Se a vida nos permitisse

Escrever em um rascunho

E depois, transcrever com algumas correções

 

Como seria maravilhoso

Se o relógio da vida

Nos desse a oportunidade

De voltar alguns minutos, horas e, até mesmo, dias

E fazer tudo muito diferente

 

Aquele abraço que não foi dado

Aquela palavra que não foi dita

Tudo pudesse ocorrer

Quando o relógio voltasse seus ponteiros

 

Mas, por não ser possível

Vamos viver da melhor forma

Abraçar, beijar, usar as palavras certas

E assim, a saudade, quando chegar,

Seja uma doce lembrança.

 

Nizamar Oliveira – 15/08/2020

domingo, 9 de agosto de 2020

Feliz dia do meu herói sem capa

 É meu herói sem capa

Hoje seria aquele dia, que eu despertaria e lhe daria um abraço apertado.

E por menor que fosse a lembrança que ganhasse,

Me retribuiria com um abraço gostoso e um beijo em minha testa.

 

Interessante vir à minha lembrança, seus beijos em minha testa.

Uma prova de carinho e amor profundo.

Escrevo e um sentimento agradável abraça-me.

É o senhor, meu pai, quem vem me abraçar?

 

Mais de uma vez, chorei estes dias.

Quando ouvi a música “Não chore mais”,

Porque o senhor gostava

E logo que partiu desse plano, eu escutava incessantemente

Só para chorar.

 

E, quando ouvi a música “Pai”,

Que é tão significativa para mim.

Porque eu queria tanto que o senhor brincasse de vovô com meu filho,

Enquanto eu lhe prepararia um almoço bem gostoso de Dia dos Pais.

 

Pai, o senhor agora pode brincar de vovô de meu filho.

Em um tapete de estrelas, agora, dois adultos,

Em um diálogo cheio de aprendizagens e conhecimentos.

 

Deste plano, rogarei que vocês se encontrem

Seu neto primogênito, o qual ensinei amá-lo e respeitá-lo.

Quando eu falava que ele estava agindo igual ao avô,

Ele ficava todo feliz.

Mesmo sem sua presença física,

O senhor sempre foi um exemplo para ele.

 

Meu filho estará aí,

Abraçando o senhor, comemorando o Dia dos Pais.

Meus espíritos de luz, meus dois amores.

Muita luz e proteção a vocês, que estão no Encantado.

Feliz Dia dos Pais, meu eterno pai e exemplo de vida.

 

Nizamar Oliveira – 09/08/2020