domingo, 28 de dezembro de 2014

Um ano de muito aprendizado



"Não quero faca nem queijo. Quero a fome" (Adélia Prado)

Eu bem que procuro não fazer retrospectiva e planos para o ano seguinte. Mas, ouvir de uma criança de seis anos, na noite de Natal, que ela já tem o planejamento para 2015, a princípio foi engraçado, mas me provocou reflexão.


E comecei a passear pelo meu 2014 e analisar o quanto mudei, evoluí, aprendi, ensinei, amadureci. As decisões que tomei, aquelas que tomei e depois  voltei atrás por ver sob uma nova perspectiva. Enfim, foi um ano denso, intenso, recheado de emoções e aprendizados.



Ele começou para mim em outro continente, em uma praça de Barcelona. Lá, meu coração estava cheio de esperanças, sonhos de um novo caminho, uma nova vida. Sonhos que foram dissolvendo como nuvens em um dia ensolarado, no decorrer do ano.










Fui convidada para apresentar uma palestra no Equador. Mais uma vez, fazendo as malas, para uma experiência inédita. 



Desta vez, sozinha, em solo desconhecido. 








E foi lá, após uma recepção magnífica e gratificante, naquele estonteante paraíso chamado Galápagos que tomei mais uma decisão em minha vida. E que a cada dia que passa, certifico que foi a mais acertada.








Estudei, e muito, evoluí espiritualmente. Estreitei laços com pessoas maravilhosas, fiz novos amigos (internacionais). 








Fiquei platinada... Cada vez descubro que tenho muito mais de meus pais do que imaginava ou desejava. 



E que posso perder todos os bens materiais, que sobrevivo e tenho forças para um reinício, mas meus alicerces, família e amigos, são fundamentais.












Reatei laços, desatei nós, perdi para as estrelas um grande amigo, mestre, exemplo de pessoa e profissional. Reencontrei pessoas que foram se tornando imprescindíveis no meu dia a dia.
Iniciarei 2015 com novos ares e lugares. Desafios... Meu combustível!



Só tenho que agradecer a Deus por todos os dias que Ele me concedeu. Foram muitas as oportunidades, os abraços, os carinhos, as amizades. Estão ao meu lado apenas as pessoas que eu realmente quero. E lugares, e ares...









Venha 2015, com seu novo caderno para novas histórias, memórias, lugares, laços e abraços. E muitos encontros com as pessoas que amo!

Nizamar 

segunda-feira, 22 de dezembro de 2014

Bolsos Vazios

Esvaziei os bolsos. Enquanto a senhora expectativa conversava com a dona ansiedade, saí sorrateira pela porta dos fundos e as deixei sozinhas em casa.


Deixei para trás essas duas senhoras e também a senhorita pressa, o senhor celular e o digníssimo senhor do tempo, meu relógio.
Desci 8 lances de escadas, já praticando um aquecimento e ganhei a rua.
Tinha comigo, além de bolsos vazios, olhos despertos e pernas dispostas a caminhar. Estava desbravando, mais uma vez, as ruas de meu bairro.
















Quando o senhor do tempo não me domina, saio vagando, seguindo apenas minha intuição, desça por aqui, entre naquela estreita rua, olhe para aquela árvore, aquela casa que deve possuir a mesma idade do bairro, contrastando com um prédio ultramoderno. Sete anos morando na Vila e ela ainda me surpreende. Suas ruas pequenas, estreitas, algumas de paralelepípedos, revelam árvores, casas, bares, restaurantes. Tudo de forma charmosa, com suas lojas vintage




Caminhar por suas ruas é viajar no tempo, e quando os bolsos estão vazios, tudo se transforma. Vou colocando neles, novos olhares, pequenas descobertas, o sorriso de uma criança, o carinho do casal logo adiante, as mãos dadas do casal de alvos cabelos que caminham lentamente.











Sigo caminhando e quando chego em casa percebo que meus bolsos não se encontram mais vazios  e sim com doces lembranças. Misturo todas elas e as admiro como as imagens que um caleidoscópio forma e assim, dou início a uma nova semana que me reserva muitas surpresas e novidades...


Nizamar 22/12/2014

quinta-feira, 27 de novembro de 2014

E se passaram três anos...








Amor de mãe é mais que incondicional, é visceral. Sentimos em nossas entranhas, o filho se desenvolvendo. Sangue do meu sangue, que se alimentou em meu ventre. Por oito meses, se saciou com meu leite e eternamente, desfrutará de meu amor e carinho.





Há três anos, você decidiu que seria uma estrela a brilhar no horizonte. Foi a pior despedida de minha vida. Foi como se estivessem arrancando meus órgãos em vida. É uma dor que o tempo ameniza, mas está lá latente, esperando um motivo qualquer para o seu despertar.



E, às vezes, acorda devagar, sem alarde, mas queima por dentro, e as lágrimas rolam soltas e livres.


Sangue do meu sangue, sol dos meus dias, estrela de minhas noites. A saudade dói, três anos sem você. Mas, sei que hoje está mais próximo de mim do que nunca esteve. Neste plano, em que se encontra envolto em luz, pode compreender-me melhor.  

Continue irradiando aquela alegria do menino sorridente que andava pela casa, com sua moto, dizendo ser o Rambo. 





Sonhe, como o menino que queria ser jornalista e comentarista esportivo. Brilhe em sua imaginação, desbravando novos lugares, dizendo para mim, em sua tenra idade que queria ser "professor de invenção" e "espião americano"




Espírito de grande evolução, que admirava os melhores filmes, as mais seletas músicas e os mais admiráveis livros.










Sigo amando você, como no primeiro dia em que imaginei estar crescendo em meu ventre.
















Rezo por você todos os dias. Você sempre será o primeiro e o último pensamento dos meus dias.


















Mas, a vida segue adiante, olhar no retrovisor, somente para não cometer os mesmos erros. 



Sigo olhando pelo para-brisa, pois ele me aponta a frente, meus sonhos, minhas realizações, minha vida.



Você foi o melhor presente que a vida poderia me oferecer. 





Beijo seu rosto que hoje sei, está envolto em luz e sigo minha vida, com você tatuado em meu coração, mas com a certeza de que tudo aconteceu exatamente como deveria...










































Sua mãe!
Nizamar - 27/11/2014








































sábado, 4 de outubro de 2014

Tempo de coisas novas





Sim, eu não resisti. E passei pela última vez por sua página. Foi uma visita rápida. Eu precisava, ah, você nem desconfia o quanto eu precisava...

Precisava sentir que ver suas fotos não me provocam mais emoções.
Precisava ter a certeza de que a palavra saudade não faz mais parte de mim.
Precisava ter a certeza de que minha decisão foi acertada.






Precisava demais, olhar para seu perfil e não sentir absolutamente nada, que o amor (se é que um dia existiu) foi embora.
Precisava ter a absoluta certeza de que nossa história (ou seria estória?) é página virada.

Sabe, eu precisava muito acreditar que quando meus amigos perguntam de nós e eu digo que acabou, sentir isso no meu coração e não apenas nas palavras.


Ah, eu também precisava saber que seus parcos pedaços em minha vida não fazem parte de meu mosaico e que seus cacos não compõem meu caleidoscópio.












E assim, pude decretar fim do meu luto, porque aprendi que toda perda resulta em luto, e como tal deve ser vivido e respeitado. Não me vi mais naqueles cenários que eu acreditava serem nossos, mas que hoje, tenho absoluta certeza de que pertencem apenas a você.








Página virada, fim do luto, vida nova, novos rumos. Seja lá qual for o nome, o importante é o sentimento. Estou leve, livre do passado, sem amarras, pronta para viver cada segundo. E que me venham coisas, pessoas, emoções e lugares felizes.

"Fui até ali, para ser feliz e não volto mais..." (Nizamar Oliveira 04/10/2014)






domingo, 31 de agosto de 2014

Homenagem ao Nosso Mestre no IX Fórum de Estudos de Seguros

Como é difícil buscar palavras para começar esse texto.

O que dizer de uma pessoa que esteve presente em minha vida por onze anos, sendo para mim, uma linda lição de vida?

Não poderia imaginar que ao retornar a esta instituição, 20 anos após concluir minha primeira faculdade, conheceria um professor de tamanha grandeza.


Tive professores maravilhosos no colégio, na primeira faculdade, em que um destes infortunadamente, também nos deixou. Este nos deixou após voltar a ser meu professor no mestrado.










Foram tantas perdas depois que ingressei nessa faculdade e quantas vezes, meu amado mestre (como sempre o chamei) me ouviu escolhendo as palavras certas para me confortar.

Amaudir, você foi o melhor presente que esta instituição pode ganhar. Sempre preocupado em nos transmitir seu conhecimento. Sua simplicidade, seu jeito descontraído de ensinar.

Com você, conhecemos a dona Cocotinha que perdeu seu marido, o Sr. Pastel. E ficou com suas crioncinhas, mas foi amparada por um seguro de vida. Em suas aulas fui apresentada ao tal do CCM, o Cão Chupando Manga que aterrorizava os alunos em dias de provas.

Quantas lições que não estavam em livros, apostilas ou em sua lousa, sempre tão organizada. Estavam em suas palavras e principalmente em seus atos. Pois a melhor forma de ensino-aprendizagem é através do exemplo. E suas atitudes ratificavam o que sua boca proferia.



Está difícil não ter mais você em minha sala, contando suas histórias engraçadas, com aquele sorriso maroto de garoto traquinas. O lanche da sala dos professores não tem mais sabor de “Fome Zero”.




Você me incentivou à docência e foi um grande exemplo que segui e sigo até hoje.
Qualidades? Será que conseguirei enumerar sem ser injusta? Bondade, humildade, ética, caridade, paciência. É não vou conseguir você foi muito mais que isso.

Enquanto escrevo, sinto que está aqui, muito próximo, talvez até teclando por mim. Anjo de extrema luz, com certeza, já despertou do sono dos que mudam de plano e está contando suas histórias engraçadas para os habitantes de sua nova morada.

É assim que quero imaginar sua passagem, plena de luz e alegria, neste lugar que não há dor física, pois por aí só habitam espíritos de muita luz. Este fórum, que foi planejado por você, é um presente que todos nós que fomos seus alunos, lhe dedicamos, com todo carinho. Siga em paz em sua nova missão!



domingo, 10 de agosto de 2014

Para meu eterno herói em seu dia.

Quantas vezes, ao ouvir a música Pai, eu chorei copiosamente. O senhor dizia que não seria avô porque era coisa de velho. E nos deixou 1 mês antes do meu casamento e 2 anos antes de meu filho, seu neto primogênito chegar.

Imaginava o senhor, brincando com meu filho, com o mesmo amor e carinho que me tratava, aliás que tratava a todos. Seus braços, sempre meu melhor colo, meu acalanto.

Hoje, em um tapete etéreo, o senhor brinca de vovô com meu filho. São 32 Dia dos Pais que não o tenho ao meu lado. Que não vamos comemorar seu dia em um almoço gostoso na estrada, como sempre gostou de fazer.

Paizinho, obrigada pelo amor que me deu todos os dias de minha vida, obrigada por cuidar de mim e sei, por muitas vezes tomar-me em seus braços para me proteger na caminhada difícil e por tomar minhas mãos e me conduzir ao melhor destino.

Serei eternamente grata por suas lições de amor, solidariedade, gentileza, humildade, ética, moral, honestidade, equidade e espiritualidade. Seu incentivo sempre foi minha motivação para atingir meus objetivos e para que eu fosse sempre uma pessoa melhor.

Grata por colocar Deus em meu caminho e meu coração. O senhor fez tudo e mais um pouco para meu desenvolvimento humano e espiritual. Saudade... essa será eterna, até o momento de nosso reencontro.

Feliz dia seu, meu paizinho, mil vidas não seriam suficientes para agradecer e bendizer por aceitar-me como sua filha. O amo infinitamente e beijo-lhe como uma suave brisa a tocar seu rosto.
Nizamar 10/08/2014


domingo, 22 de junho de 2014

Impressões de um filme

Livros e filmes são mágicos. Nos identificamos com um personagem, torcemos por outro, ainda que ele seja o vilão, desejamos que outro seja devidamente punido, rimos com algumas cenas.
Ao menos, eu sou assim, entro na estória, choro, rio, me emociono. Ontem, assistindo um dos filmes mais comentados, "A Culpa é das Estrelas", a emoção estava aflorada. Algumas pessoas choravam copiosamente a ponto de ouvir os soluços que teimavam em não parar. Confesso, naquele momento, eu não estava chorando, não que eu estivesse isenta de tal emoção, mas não foi o que mais tocou.
Cada pessoa se identifica com um momento, uma circunstância. É óbvio que presenciar vidas sendo ceifadas em plena adolescência não é algo agradável, é dolorido. Cada um dos adolescentes enxergam a doença de uma forma, mas todos sabem que seus dias estão por um fio e como a personagem Hazel se traduz, ela é uma granada, que vai explodir a qualquer momento.
Para mim, dois momentos foram marcantes e, claro, por minha vivência. Quando Hazel diz se preocupar com a mãe quando ela não mais estiver entre eles, porque a mãe um dia disse que se ela morresse, não mais seria mãe. O que a mãe responde, anos depois do ocorrido que ela sempre será a sua mãe, independente da filha estar entre eles ou não. O medo da reação da mãe ao perdê-la a deixa extremamente preocupada.  
O segundo momento faz-se quando o pai de Hazel a abraça dizendo que foi bom ela ter amado o Augustus pois, ao amá-lo, pode entender o quanto os pais a amam.
Claro, para alguns, esses momentos podem ter passado desapercebidos, mas para mim, foram os que mais me tocaram. Por tê-los vivido e por saber que nunca deixamos de ser mãe, todos os dias peço a proteção Divina para minha estrela que brilha no céu.

"Você me deu uma eternidade dentro dos nossos dias numerados, não sabe o quanto eu sou grata pelo nosso pequeno infinito." (A Culpa é das Estrelas)


sábado, 24 de maio de 2014

Um encontro com você


Marque um encontro com você, mas por favor, desligue o celular.
Desligue a televisão, o seu computador e até o cérebro.
Procure reservar um tempo para conversar com você, saber o que você deseja, o que precisa, o que te aflige.
Traçar metas, organizar os sonhos…
Parece tão fácil não é?
Mas, na verdade, com essa vida louca que levamos,
está cada vez mais difícil esse encontro pessoal.
Marcamos reuniões com tantas pessoas, nos reunimos na empresa, marcamos presença nas aulas, visitamos os parentes, ainda que pelo Skype,
mas não conseguimos falar com nós mesmos.

Assim, fugimos do encontro com a nossa razão,
e vivemos atropelados pela emoção.
Alias, um poço de emoções que vibra em nós,
e que quase sempre explode em doenças “nervosas”.
Por isso é tão importante encontrar esse tempo,
marcar um encontro pessoal e íntimo com essa pessoa tão importante, tão difícil e tão merecedora de atenção que é você.
Pense nisso, e hoje, ainda hoje se possível,
converse com você, ainda que seja para dizer: eu te amo!
Dizer para o reflexo no espelho: conte comigo!
E entender que sem amor próprio não somos nada.
Pense nisso!
(Paulo Roberto Gaefke)