Com suas mãos delicadas
Tocou seus cabelos grisalhos
Há muito, decidira não se demorar
diante do espelho
Preferia se ver como estava sua alma,
seu interior
Jovem, lúcida e feliz.
Não, ela não era infeliz
Mas, sabia não mais ser jovem
Aquela, outrora linda e desejada
E que podia escolher a quem amar.
Seu rosto, agora sulcado pela
idade
Contempla em frente ao espelho
E um filme vai rodando.
Se vê criança, longas tranças
Em laços cuidadosamente escolhidos
por sua mãe.
Se vê adolescente, tentado de
todas as formas
Disfarçar aquela espinha no rosto
Que amedronta qualquer menina de
15 anos
Em um sábado à noite.
Se vê jovem, subindo no altar
Vestido branco, acreditando, sonhadora
Que aquele amor seria eterno e
verdadeiro.
Se vê disforme, com uma imensa
barriga
Mas, feliz como nunca
Pois em seu ventre cresce seu
filho.
Se vê só, porém cercada
De amigos e familiares
Naquele momento de imensa dor.
E então, tem a certeza
Que teve muitos amores
Das mais variadas formas.
Que é uma mulher que muito amou
Que muito ama e é amada.
Nizamar Oliveira – 07/09/2019

