Sim, eu sinto saudade.
Saudade imensa, por sinal!
Saudade daquele sorriso lindo.
Dos olhos de jabuticaba a me fitar.
De você cantando Espanhola para
mim.
Tenho saudade de sua doce infância.
De você andando de motoca,
dizendo ser o Rambo.
Me beijava, dizia que eu era sua
namorada e estava indo para o trabalho.
Tenho saudade do menino que
brincava feliz.
Tenho saudade de nossas
conversas, de nossos passeios.
De nossos filmes e peças
teatrais.
Às vezes, me pego pensando em lhe
contar algo interessante.
Ah, se a vida fosse um livro.
E pudéssemos reescrever algumas páginas.
E pudéssemos deletar alguns capítulos.
Se você pudesse manter aquela
alegria do menino.
E apagar a tristeza do adulto.
Deixar o menino cheio de sonhos.
Amenizar a tormenta do adulto.
Quem sabe assim, você encontrasse
seu ponto de equilíbrio.
E conseguisse atravessar os dias
difíceis.
Dias que se tornaram rotina em
sua vida.
Que se tornaram semanas, meses,
até você não mais suportar.
Ah, se a vida fosse um filme, uma
música, um livro, ou uma peça teatral.
Mas, ela não é.
Ela é cruel, é nua, é crua e não dá
trégua.
Ela nos cobra incessantemente.
Ah, meu filho, quanta saudade!
Nizamar 22/02.2019.

