quinta-feira, 31 de dezembro de 2020

Chegou 2021

Já passei o Ano Novo de tantas formas

Com o coração sangrando quando meu pai foi morar no Encantado, uma semana antes

Com um barrigão, trazendo comigo uma nova vida

Unindo-me em um segundo casamento

De novo com o coração em pedaços com a partida de um filho para o Encantado, um mês antes

Em uma praça de Barcelona

Com a família, inúmeras vezes

Na paz de uma fazenda em Uchoa

Na linda Buenos Aires

Mas nunca desejei tanto a saúde, como desejo nessa virada

Nunca fui tão grata por minha saúde e de meus familiares e amigos

Ano dos beijos e abraços proibidos

Das comemorações adiadas

De novas amizades

De fortalecer antigas amizades

De colo amigo de muitas pessoas

De muito aprendizado

E só posso dizer: 

Obrigada, meu Deus!

E que 2021 seja repleto de paz, harmonia, saúde, prosperidade e alegrias. 

Nizamar Oliveira - 31/12/2020

domingo, 27 de dezembro de 2020

Tão de repente

E de repente, meus ombros pesaram

E eu fiquei pensando no motivo daquilo

Meu coração querendo sair de sua caixinha

O espaço era pequeno para ele

Se sentindo pressionado

E os ombros, consequentemente, se contraíram

Um cansaço inexplicável

Eu e essa mania de querer carregar o mundo em meus ombros

E minha mente começou a gritar

Como que em um apelo voraz: 

- Vamos, se ame, dê um basta, 

- Deixe a bagagem aí mesmo no chão

- E flutue, viva! 

Nizamar Oliveira - 17/12/2020




O que eu não quero

Eu não quero apenas o tesão

Daqueles que o coração pulsa descompassado

Mas depois, toma-se um banho e

Cada um vai para o seu canto

Até um dia qualquer ou

Até nunca mais

Eu não quero apenas uma reação química de hormônios

E entregar-me sabendo que depois, 

Sentirei um enorme vazio

Quero a delícia de estar

Com quem posso conversar

Que eu possa ser eu mesma

Sem críticas, sem disfarces

Não sou um objeto de prazer, simplesmente

Sou corpo, que possui desejos

Mas, sou mente e espírito

Sou complexa e completa

Só se aproxime de mim

Se quiser levar o pacote completo

Caso contrário, nem perca seu tempo

Pois sei muito bem, lutar com as mesmas armas

E posso fazer igual, quando menos esperar. 



Nizamar Oliveira - 26/12/2020

domingo, 13 de dezembro de 2020

Vá, mulher!

As malas estavam na porta

Com o casaco em seus braços 

Ele esperava que, mais uma vez

Ela o implorasse para ficar

Mas, desta vez, ela não o fez

E ele, disfarçou a decepção

Com um sorriso amarelo

Ela cansou de promessas vagas

De mergulhos profundos

Com uma pessoa rasa

Cansou de pedir para ele mudar

De pedir para ele ficar

Finalmente, ela entendeu

Que amar não significa 

Aceitar tudo

Não significa permanecer com o amado

Ela entendeu que é preciso se amar

E, quando ela pediu que ele partisse

Ela sabia exatamente o que estava fazendo

Que encerraria aquela página da vida

Que queimaria aquele ciclo

E iniciaria um novo caderno

Páginas em branco esperando que ela escreva

Narrando seus novos caminhos

Sozinha ou com outro alguém

Porém, desta vez, será sempre ela

O seu amor maior

Segue mulher, o mundo a aguarda

Pegue seu chapéu

Aquele vestido florido

Que ele tanto criticava

E vá ser feliz e plena!

Nizamar Oliveira - 13/12/2020

sexta-feira, 11 de dezembro de 2020

Em um dia qualquer

Em um dia qualquer me dei conta que sou espaçosa

Não caibo em lugares apertados

Se dedicar apenas um pequeno espaço de sua vida para mim

Eu partirei silenciosamente

Não fico onde não posso circular livremente

Não fico onde preciso me ocultar para alguns

Não fico onde não sou bem-vinda ou bem-quista

Comigo, é tudo ou nada

Quente ou gelado

Morno não me agrada

Não vou tentar me adaptar

E cortar minhas asas

Elas demoraram a ganhar a liberdade

Portanto, ou voa comigo

Ou parto para onde me sinto bem

Ainda que o preço de minha liberdade

Seja estar acompanhada apenas de mim. 

Nizamar Oliveira - 04/12/2020

Moço, eu poderia.

Eu poderia ter escolhido um amor tranquilo e sem imprevistos

Aquele que você um dia me ofereceu

E estar vivendo em um lugar qualquer, porém comum

Eu poderia me contentar com o morno, o calmo, o previsível

Mas, não sou assim

Eu gosto de andar na tempestade

De lugares inusitados

De sentir o fogo me queimar

De não ter certeza do dia de amanhã

De mergulhar no infinito

Sou intensa, não sou tranquilidade

E assim, vou vivendo meus dias

Nem sempre ventania

Jamais calmaria

Nizamar Oliveira - 11/12/2020