sábado, 22 de junho de 2013

Moça, o que é ser feliz?

Absorta em sua leitura, sequer sentiu o toque suave daquela pequenina mão. Mas, aquele pequeno anjo não desistiu e insistiu em tirar sua atenção do livro. Na segunda vez, ela percebeu o chamado daquela criança. Enternecida com aquele sorriso brando, ela olhou para ele e tocou em seus cabelos macios.
Então, ele perguntou para ela: - Moça, o que é ser feliz? Como não ceder a esse encantamento? Ela fechou o livro, o colocou em sua mochila, pegou nas mãos da criança e perguntou: - Sabe andar de bicicleta? Com os olhos brilhando de alegria ele respondeu: - Sim, sou muito bom nisso! Ela respondeu: - Ótimo, vamos alugar duas bicicletas e, enquanto estivermos pedalando pelo parque, mostro para você o que é ser feliz.

E saíram pedalando pelo parque, pararam para comer algodão doce, tomaram um sorvete e se lambuzaram todo, lamberam os dedos, comeram pipoca, tomaram refrigerante. Paravam um pouco aqui, um pouco ali, admirando os transeuntes, os pássaros, um lagarto cruzou por eles, um esquilo os aguardava em uma árvore. Uma criança soprava bolhas de sabão e sua irmãzinha, extasiada, corria atrás delas.
Depois, pararam diante de um vendedor de balões e o menino escolheu aquele que tinha seu super-herói favorito. Colocou em seu pulso para não perdê-lo e deu um beijo nela em agradecimento.


Cansados, devolveram as bicicletas e sentaram em um banco. Olhando para aquela criaturinha tão inocente, com suas bochechas que antes eram rosadas, agora vermelhas e o suor escorrendo em seus cabelos, ela perguntou: - Gostou da nossa aventura no parque? Ele consentiu com a cabeça e confessou que não podia imaginar que aquele lugar pudesse lhe oferecer tantas alegrias e prazeres. Então ela lhe disse que tudo aquilo era ser feliz.
Ele a abraçou e disse: - Então ser feliz é ser criança? Sendo assim, não quero crescer nunca. Ela olhou pacientemente para ele e respondeu: - Você pode crescer o quanto puder e desejar, só não pode adormecer a criança que sempre estará dentro de você.



E ela voltou para casa feliz por ter despertado sua criança e ele, com seu balão colorido, acenava em sua direção. Foram embora levando consigo muito do outro e deixando um pouco de si... (Nizamar Oliveira)

quinta-feira, 20 de junho de 2013

Um amor inexplicável

Após um beijo longo e apaixonado, ele a aninhou em seus braços. Sentindo-se a mulher mais amada do universo, ela recostou sua cabeça no colo dele.
Ele começou a brincar com seus cabelos, olhando-a com ternura. Acariciando seu rosto, começou a dizer-lhe palavras encantadoras. Tudo o que ela mais gostava. Que era linda, carinhosa, especial, que a adorava. Enquanto ouvia extasiada, como se fosse a primeira vez, ela lembrava, com uma leve pontada de dor em seu peito, que as palavras dele tinham a beleza e a temporalidade de uma bolha de sabão.
E quando ele decidia que tinha que ir embora,  era sempre ele que decidia a hora de ir embora, ela sabia que tudo estava acabado, até o momento em que ela conseguisse um novo encontro. E, ela nunca sabia quanto tempo exatamente demoraria esse novo encontro.
Por que tinha que ser sempre assim? Por que ele escapava dela entre os dedos? E quando estava sozinha novamente os sentimentos se misturavam. Era como se uma ventania passasse pela praia, levando tudo, atirando para longe esteiras, guarda-sóis, chapéus. Era um turbilhão de sentimentos. Sentia-se feliz, lembrando dos momentos bons, o gosto do beijo ainda em sua boca. E, ao mesmo tempo que se sentia a mais completa das mulheres, se sentia totalmente despedaçada, partida como um frágil vidro. Aquela confusão de sentimentos a atormentava, todas as vezes que o via, ou conversava com ele.
Pareciam um casal perfeito, felizes, andavam de mãos dadas como eternos apaixonados, trocavam carícias. Mas, tudo acontecia com a mesma intensidade de uma chuva de verão, que molha o chão e o calor evapora suas gotas em pouco tempo.
E, mais uma vez, ela voltou para casa, sozinha. Até o próximo encontro. Ou até ela se cansar e não mais procurar por ele. Engolir seu amor, passar a se amar mais e abrir caminhos para novas pessoas, novos pensamentos, novos ideais. E assim, engrossar a fila dos amores não resolvidos, esquecidos, perdidos no caminho...


(Nizamar Oliveira - 20/06/13)