sábado, 29 de maio de 2021

Eu e você

Olho para os seus cabelos grisalhos

E sei que os meus estão iguais aos seus

Sua pele, agora com as marcas do tempo

Como a minha também está

Mas, os olhos possuem o mesmo brilho

Aquele olhar de menino de quando lhe conheci

Seus beijos ainda tiram meus pés do chão

Não mais aquela urgência de nos amarmos

Um amor calmo, maduro, sereno

Quantas histórias temos para lembrar

Medos, inseguranças, discussões

Alegrias, descobertas, paz

E amor, muito amor

Eu soube que era amor quando me olhou pela primeira vez

Soube que minha vida mudaria naquele exato momento

Ah, meu amor! Como é bom ter você

Não, com certeza eu não faria tudo igual

Uma vírgula aqui, um ponto ali, uma reticência acolá, seriam alterados. 

Porém, continuaria ao seu lado

Porque você é e sempre será

O grande amor da minha vida


Nizamar Oliveira - 28/05/2021 

domingo, 23 de maio de 2021

Mariazinha

 - Mamãe, mãezinha, corre aqui. 

- O que aconteceu Mariazinha? 

- Olha mamãe, que borboleta linda! 

- Ah, menina, quase mata de susto!

Mariazinha é assim, se encanta com o canto dos pássaros, com as cores das borboletas, com o perfume das flores.

Ela tem o olhar deliciosamente simples.

Não para no caminho para admirar uma vitrine com roupas caras e bonitas. 

Nem repara nas luxuosas casas que estão em seu percurso até a escola. 

Mas, se em um dos jardins, tiver uma singela flor, ela vai parar para admirá-la. 

Mariazinha é uma criança muito especial,  porque ela ensina o valor das pequenas alegrias. 

E sua mãe, se enche de felicidade, ao ver a sensibilidade de sua pequena Maria. 

Que o mundo tenha muitas Mariazinhas, para nos ensinar a verdadeira felicidade. 


Nizamar Oliveira - 23.05.2021


quarta-feira, 5 de maio de 2021

Despedida

Despedir-se um filho dói? 

Dói, e creio que, até nosso último suspiro de vida

E não venha dizer, quem nunca passou por isso, que imagina essa dor. 

Não, não imagina nem de longe. 

Não sabe, e tomara que nunca saiba, o que é sonhar contando para o seu filho, sobre algo que lhe aconteceu.

Não sabe o que é fazer planos e até mesmo, implicar com ele, e ser tão real, que nem parece que estava sonhando. 

Também não sabe o que é quase abraçar um estranho que passa por você na rua, porque se parece com seu filho. 

E fico pensando que, é doído demais não ter mais um filho, seja qual for a idade de sua partida. 

Algumas mães, como eu, puderam ver seus filhos aprenderem a andar, a falarem suas primeiras palavras. 

Sopraram e beijaram o machucado no joelho. 

Abraçaram e acolheram em seu colo, as alegrias do primeiro amor, a primeira decepção amorosa, o ingresso na faculdade. 

Outras tiveram ainda, a felicidade de olhar para um neto e relembrar a infância de seu filho. 

Mas, as mães de Saudades, um pequeno município de Santa Catarina, viverão de eternas saudades. 

Apenas imaginando como seriam seus bebês crescendo, estudando, confrontando os pais, tendo suas desavenças e imensas alegrias. 

Que Deus conforte seus corações e, como eu, tenham a coragem de seguir adiante. 

Que esses anjinhos tenham uma passagem de muita luz, para o plano em que tamanha crueldade, não exista. 


Nizamar Oliveira - 05/05/2021