Um
fio de luz adentrava o humilde cômodo. A pequena Lis, de sua cama, observava a
claridade. Assim ela sentia que era a sua vida: Um fio!
Enquanto
as crianças brincavam alegres e ruidosas, ela escutava tudo de seu pequeno quarto,
impossibilitada de sair.
Mas,
todo fio pode levar a um destino. E esse destino se chamava Daniel. Este jovem,
recém-formado, vindo da capital, enquanto tomava seu café da manhã em uma
modesta padaria, ouviu consternado a história dessa pequena heroína que muitas
vezes, em sua tenra idade, não dormia com medo de não presenciar um novo dia.
Lis
tinha um segredo que guardava em seu coração e não contava nem para sua
mãezinha. Ela acreditava que um dia, um moço muito bonito, com trajes
elegantes, a visitaria e com toda sua sabedoria, a tiraria daquele desencanto.
E,
como que por encanto, Daniel surge no humilde vilarejo, ouve a conversa, se
interessa pelo assunto, traçando um diagnóstico.
Médico,
recém-formado, que passava por aquele lugar por um mero acaso do destino, era
dono de um coração muito bondoso e pediu para ver a criança.
O
moradores olham entre si, desconfiados e ele esclarece que é médico pediatra.
Como
que por encanto, todos abrem um sorriso e um menino se dispõe a levá-lo até lá.
Ao
chegar na humilde casa, é recebido pela mãe da pequena menina, com imensa
alegria. Lis o recebe com um brilho intenso em seus olhos cor do mar. Aquele
fio de luz que adentrava o quarto dava um brilho especial naquele rostinho.
A
pequena pega em sua mão e pergunta: - Você veio me tirar desse desencanto? Eu
poderei brincar com meus irmãozinhos?
Daniel
responde com um sorriso, ficara sensibilizado com a pequena doentinha.
Após
examiná-la, constatou que seu caso não era tão grave e de provável cura e
recuperação.
Tornaram-se
amigos, visitar a família tornara-se um presente para aquele recém-formado, que
aprendia com eles as melhores lições de acolhimento e calor humano.
Era
uma troca gratificante, o carinho daquela família era uma experiência ímpar e
ver Lis se recuperando era sua melhor recompensa.
Assim
é a vida que tece bordados de entrega, dedicação, retribuição, acolhimento,
humildade e muito amor.
Lis?
Está bem, brincando com seus irmãozinhos em sua casa. Tudo graças ao seu anjo
Daniel e sua esperança que nunca morreu.
Daniel
é uma pessoa cada vez mais realizada pois levou consigo o melhor dos
aprendizados durante o período que esteve com a família de Lis.
Nizamar
23/08/2015