quarta-feira, 6 de julho de 2016

Por tudo aquilo que nunca tive

Hoje a palavra de ordem é gratidão.
Gratidão pelas noites que me permitiu dormir aninhada em seus braços porque eu precisava sentir confiança.
Gratidão por nunca me permitir desistir de meus sonhos.
Gratidão por respeitar meus pensamentos mais tolos.
Gratidão por nunca me abandonar pelos caminhos da indecisão.
Gratidão por nunca me deixar sentir solidão.
Por afagar meus cabelos e me perguntar como estou.
Por olhar no fundo dos meus olhos e acreditar em mim.
Por se orgulhar de minhas conquistas.
Por me amar sempre e tanto.
Por desvendar tão suave e delicadamente a minha alma.
Por nossas risadas, nossas lágrimas e nossas palavras ditas em nossos silêncios.
Por me trazer tranquilidade.
Um sentimento de paz e pertencimento, sem me sentir sufocada.
Por sempre estender-me as mãos.
Por não rir de meus medos bobos.
Por não se surpreender com minha coragem absurda.
Obrigada por existir.
Obrigada por não desistir.
Obrigada por insistir.
Obrigada por tudo aquilo que nunca tive e que sempre desejei ter. 

Nizamar
03/02/2016



Ser intensa

Às vezes, muito menos do que deveria, eu paro e penso.
Qual o preço de ser intensa?
Me atiro de corpo e alma em tudo que faço.
Algumas vezes, acerto em cheio.
Outras vezes, caio no vazio.
Ser intensa é ter sede permanentemente.
É buscar o novo incessantemente.
É deixar a emoção falar mais alto que a razão.
É ignorar sinais.
É uma sequência de erros e acertos.
Mais erros que acertos.
Mas, é excitante.
Não sei viver da rotina, do previsível.
Me prometo ser diferente da próxima vez.
Porém, quando menos espero, lá estou agindo intensamente.
E então, paro e reflito e decido.
Quero, gosto, amo, vou continuar sendo intensa.


Nizamar 03/07/2016

Quando o amor acaba

Ele já não lhe perguntava mais como tinha sido seu dia.
Ela não preparava mais aquele jantar delicioso para ele.
Ele passava o dia inteiro sem lhe mandar uma mensagem.
Ela não fazia mais massagem nele.
Mas, permaneciam juntos por mera comodidade.
Os amigos não percebiam a falta de brilho nos olhos.
Porque também estavam envolvidos no comodismo da rotina.
E viveram infelizes por tanto tempo.
Que nem se lembravam mais o que era ser feliz.
E nem quando ocorreu essa mudança.
Quantas histórias assim?
Quantas pessoas se acomodam na zona de conforto?
Se negam a enxergar a realidade, o óbvio.
Ninguém acorda pela manhã e pensa: o nosso amor acabou!
Não é como abrir um armário e perceber que não tem um mantimento.
E pensar: preciso comprar arroz, pois acabou!
O amor se desgasta nos descasos do outro.
Perde o viço, a beleza porque não foi bem tratado.
Os amores não se acabam quando viramos uma esquina.
Eles morrem atropelados pela pressa.

O amor vai se esgotando como os dias de um calendário.
Vamos riscando os dias findos e sentimos uma espécie de alívio,
Quando trocamos a folha, agora limpa, cheia de perspectivas.
E muitas vezes, é nessa virada do mês que nos sentimos renovados.
Com uma vontade imensa de escrever uma nova história.
Percebemos que já não há mais amor.
Que esgotamos todas possibilidades.
Não há volta, não há como esse amor rejuvenescer.
E você percebe que não usam mais a palavra "nós".
Não somos mais "nós", apenas "eu" ou "você"!
O desgaste tomou conta do relacionamento.
Não há mais desejo algum em lutar em nome do amor.
Aquelas palavras doces, o brilho no olhar, o sorriso fácil...
Não existem mais.
O amor não acaba de repente.
O amor acaba porque permitimos.

Nizamar 30/06/2016