sexta-feira, 31 de julho de 2015

"IRONIA"

Um ser só
Perdido na multidão
Mãos atadas,
Pássaros presos,
Crianças violentadas,
Inocência violada,
Revolta guardada,
Olhar, olhar,
Só contemplar...
Morrer a cada passo,
Calar no regaço,
Coração sem compasso;
Caminho sem traço,
Olhar de cansaço,
Chorar, chorar,
Só lamentar...
O sol se esconde
A lua surge,
Crianças famintas
Transitam na rua
Sem ter abrigo,
Mão meiga da mãe,
Aconchego do pai;
Viver simplesmente,
Tão somente...
E eu? Mais uma a andar na rua,
De mãos atadas
A me calar...

Julho - Ni 

"SAUDADE"

Saudade! O teu olhar longo e macio derramado de doçura em meu olhar;
um fio de sol aquecendo nossos corpos, uma estrela a brilhar seus lábios.
Um pedaço de lua dentro da água, a água límpida de um lago.
Saudade! Dos teus lábios a me beijar, da sua boca a me dizer: te adoro;
do teu carinho, das suas mãos a me afagar,
dos teus olhos lindos brilhantes e doces.


Saudade! O beijo da despedida, até um dia, até nunca mais;
o ônibus partindo, eu indo, você ficando, nos vermos um dia? Talvez...







Saudade! Saudade morreu, quando você voltou para me ver,
mas sempre tem a despedida.
Saudade! Adeus?
Agosto - Ni 

                    

quinta-feira, 30 de julho de 2015

E hoje, eu agradeço...

                                                          Agradeço por todas as vezes que chamei e você não me atendeu.                             
Foram recaídas, momentos de uma saudade que era só minha.
Agradeço porque posso compreender que nunca fui sua e você nunca foi meu.
E quem amou, foi tão somente eu.
E vou percebendo que você vai sumindo de minhas lembranças.

É apenas uma nuvem que perdeu as antigas belas formas de sonhos.
Não te vejo mais nas estrelas, nem no brilho do sol.
Não te vejo no clarão da lua, em nenhuma de suas fases.
As estações do ano não me fazem lembrar de nada sobre você.
Sei que em muito breve, o céu dissipará essa nuvem, e você não estará mais lá.
Será muito bom, pois não fará mais parte de minhas lembranças.
As páginas do livro que compõe a minha história se encarregará de diluir essas páginas e nada mais lembrará você.
E estarei plenamente liberta, livre das amarras de um passado...

Nizamar Oliveira 30/07/2015

quarta-feira, 22 de julho de 2015

Raika

Uma fila para pagar os livros que adquiri de meu escritor apaixonante e imortalizado em suas palavras, Rubem Alves.
Me deparo com uma menina à minha frente com um mini livro. E estabelecemos um diálogo:
- Que livro grande!
E ela, olhos arregalados, duas negras jabuticabas, me responde:
- Não! É um mini livro!


Raika é seu nome. Olhos significativos. Sorriso lindo.
Abraça seu livro, como quem carrega um tesouro.
Tão pequena, não mais que quatro anos e já sabe que os livros, independente de seu tamanho, nos levam a caminhos desconhecidos e deslumbrantes.
Então, observo que é o livro das Princesas, e ela se admira porque eu conheço.








É, minha pequena Raika, o Conto de Fadas esteve presente em minha infância. Os livros de minha casa me fizeram acreditar que eu encontraria um Príncipe e que seria feliz para sempre com ele.
Ah, que gostosa fantasia, aquele tempo que nos é permitido sonhar e acreditar em estórias felizes.
Quase um ano se passou, tudo isso aconteceu muito rápido na Bienal do Livro em agosto de 2014.














Mas, aqueles olhinhos de querer ver um mundo novo ainda guardo na memória. Tomara que ela se torne uma devoradora de livros e aprenda viajar nesse mundo maravilhoso.
E que muitas Raikas se espalhem por aí... E muitas mamães de Raikas, encaminhem suas crianças para esse fantástico universo.




 Nizamar 22/07/2015

E se...

E se você me olhasse e dissesse, eu te amo!
E eu lhe respondesse que não passa de engano?
Você me retornaria o olhar e me perguntaria, acredita mesmo que depois de tantos anos, eu ainda me engano?
Eu derramaria uma lágrima quente e lhe diria, não é mais um amor profano!

Você me vê com olhos de respeito e quem disse que eu quero isso?
Eu quero admiração, mas quero também, emoção!
Quero sentir o sabor do primeiro beijo.









Quero ver em seus olhos, o desejo!
Quero suas mãos fortes me envolvendo.
E eu, me entregando.

Quero o vigor do começo.
Quero declarações sussurradas em meu ouvido.
Palavras soltas, cheias de sentimentos.
Então, eu lhe pergunto, assim que você me ama?
E com olhos de desejo, você me aninha em seus braços.
E com a mesma força do começo, sinto seu corpo junto ao meu.





Como na primeira vez, não precisamos de palavras, apenas de beijos, para dizer tudo o que sentimos.
E olhamos um para o outro e nossos olhos sorriem dizendo: EU TE AMO!

Nizamar 22/07/2015



domingo, 12 de julho de 2015

Palavras que não são ao vento...

Às vezes as palavras surgem tão fácil e me ponho a escrever. Sentimentos que estão lá, quietinhos guardados em um cantinho do meu ser.
E ontem, as palavras surgiram quando estava adormecendo. Como eram mesmo? Me esforço em lembrar, sei que não chegarão a mim como ontem. E me pergunto por que não durmo com lápis e papel ao meu lado... Eu teria, ao menos, iniciado o que queria escrever.

Venha, não tenha medo.
Sou exatamente como me vê.
Eu não tenho segredos.
Petulante? Sim, eu sei ser.
Misteriosa? E qual mulher não é?
Venha me desvendar.
Mas, se apresse, não posso esperar.
Meu coração tem sede de amor.
Meu corpo tem fome do seu.
A vida é efêmera, não aguarde.
Estou aqui, não sei me esconder.








Venha e saberá quem se esconde por trás deste rosto.
Você se surpreenderá, espero que goste do meu gosto.
Quero te saborear, não se espante se eu te mimar.
Sou assim, independente, livre, mas não sei viver sem amar.
Venha... venha... se apresse... não quero e não posso esperar...

Nizamar 12/07/2015