Oh,
senhor dos pássaros.
Liberta-me
desse algoz.
Que
me prende nessa gaiola.
Sendo
que, tendo asas, pertenço ao mundo.
Por
que meu senhor, as maritacas passam alegres por esta janela,
Em
bandos, livres e eu aqui estou nessa prisão?
Meu
dono me dá comida, água e segurança.
Em
troca, dou-lhe meu canto.
Mas,
ele não percebe que meu canto não é de alegria.
É
um lamento.
Eu
grito com toda a minha força, a minha dor.
E
ele pensa que canto em agradecimento à água e ao alimento.
Porém,
senhor dos pássaros, às vezes vejo aves tão grandes no ar.
E,
acredite, agradeço por estar na segurança de minha gaiola.
Nasci
em uma gaiola, não conheço a liberdade.
Não
sou dotado da coragem do beija-flor, que tão pequenino,
Tem
o mundo como morada.
Às
vezes, ele pousa aqui e me conta histórias lindas,
De
lugares maravilhosos e de humanos que o admiram.
E
fico imaginando como deve ser lindo e colorido,
O
mundo além de meu limitado universo.
Que
eu me encha de coragem, na próxima vez que essa gaiola se abrir.
E
eu ganhe o mundo.
Saberei
voar?
Saberei
conquistar meu alimento?
E
assim, com tantas dúvidas me acovardo.
E
fico nesse minúsculo mundo.
Em
meio ao meu medo.
E
meu conformismo.
Nizamar
19/03/2016



