Após um beijo longo e apaixonado,
ele a aninhou em seus braços. Sentindo-se a mulher mais amada do universo, ela
recostou sua cabeça no colo dele.
Ele começou a brincar com seus cabelos,
olhando-a com ternura. Acariciando seu rosto, começou a dizer-lhe palavras
encantadoras. Tudo o que ela mais gostava. Que era linda, carinhosa, especial,
que a adorava. Enquanto ouvia extasiada, como se fosse a primeira vez, ela
lembrava, com uma leve pontada de dor em seu peito, que as palavras dele tinham
a beleza e a temporalidade de uma bolha de sabão.
E quando ele decidia que tinha
que ir embora, era sempre ele que
decidia a hora de ir embora, ela sabia que tudo estava acabado, até o momento
em que ela conseguisse um novo encontro. E, ela nunca sabia quanto tempo
exatamente demoraria esse novo encontro.
Por que tinha que ser sempre
assim? Por que ele escapava dela entre os dedos? E quando estava sozinha
novamente os sentimentos se misturavam. Era como se uma ventania passasse pela
praia, levando tudo, atirando para longe esteiras, guarda-sóis, chapéus. Era um
turbilhão de sentimentos. Sentia-se feliz, lembrando dos momentos bons, o gosto
do beijo ainda em sua boca. E, ao mesmo tempo que se sentia a mais completa das
mulheres, se sentia totalmente despedaçada, partida como um frágil vidro.
Aquela confusão de sentimentos a atormentava, todas as vezes que o via, ou
conversava com ele.
Pareciam um casal perfeito,
felizes, andavam de mãos dadas como eternos apaixonados, trocavam carícias.
Mas, tudo acontecia com a mesma intensidade de uma chuva de verão, que molha o
chão e o calor evapora suas gotas em pouco tempo.
E, mais uma vez, ela voltou para
casa, sozinha. Até o próximo encontro. Ou até ela se cansar e não mais procurar
por ele. Engolir seu amor, passar a se amar mais e abrir caminhos para novas
pessoas, novos pensamentos, novos ideais. E assim, engrossar a fila dos amores
não resolvidos, esquecidos, perdidos no caminho...
(Nizamar Oliveira - 20/06/13)

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