segunda-feira, 22 de dezembro de 2014

Bolsos Vazios

Esvaziei os bolsos. Enquanto a senhora expectativa conversava com a dona ansiedade, saí sorrateira pela porta dos fundos e as deixei sozinhas em casa.


Deixei para trás essas duas senhoras e também a senhorita pressa, o senhor celular e o digníssimo senhor do tempo, meu relógio.
Desci 8 lances de escadas, já praticando um aquecimento e ganhei a rua.
Tinha comigo, além de bolsos vazios, olhos despertos e pernas dispostas a caminhar. Estava desbravando, mais uma vez, as ruas de meu bairro.
















Quando o senhor do tempo não me domina, saio vagando, seguindo apenas minha intuição, desça por aqui, entre naquela estreita rua, olhe para aquela árvore, aquela casa que deve possuir a mesma idade do bairro, contrastando com um prédio ultramoderno. Sete anos morando na Vila e ela ainda me surpreende. Suas ruas pequenas, estreitas, algumas de paralelepípedos, revelam árvores, casas, bares, restaurantes. Tudo de forma charmosa, com suas lojas vintage




Caminhar por suas ruas é viajar no tempo, e quando os bolsos estão vazios, tudo se transforma. Vou colocando neles, novos olhares, pequenas descobertas, o sorriso de uma criança, o carinho do casal logo adiante, as mãos dadas do casal de alvos cabelos que caminham lentamente.











Sigo caminhando e quando chego em casa percebo que meus bolsos não se encontram mais vazios  e sim com doces lembranças. Misturo todas elas e as admiro como as imagens que um caleidoscópio forma e assim, dou início a uma nova semana que me reserva muitas surpresas e novidades...


Nizamar 22/12/2014

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