Esvaziei os bolsos. Enquanto a
senhora expectativa conversava com a dona ansiedade, saí sorrateira pela porta
dos fundos e as deixei sozinhas em casa.
Deixei para trás essas duas
senhoras e também a senhorita pressa, o senhor celular e o digníssimo senhor do
tempo, meu relógio.
Desci 8
lances de escadas, já praticando um aquecimento e ganhei a rua.
Tinha comigo, além de bolsos
vazios, olhos despertos e pernas dispostas a caminhar. Estava desbravando, mais
uma vez, as ruas de meu bairro.
Quando o senhor do tempo não me domina, saio vagando, seguindo apenas minha intuição, desça por aqui, entre naquela estreita rua, olhe para aquela árvore, aquela casa que deve possuir a mesma idade do bairro, contrastando com um prédio ultramoderno. Sete anos morando na Vila e ela ainda me surpreende. Suas ruas pequenas, estreitas, algumas de paralelepípedos, revelam árvores, casas, bares, restaurantes. Tudo de forma charmosa, com suas lojas vintage
Caminhar por suas ruas é viajar
no tempo, e quando os bolsos estão vazios, tudo se transforma. Vou colocando
neles, novos olhares, pequenas descobertas, o sorriso de uma criança, o carinho
do casal logo adiante, as mãos dadas do casal de alvos cabelos que caminham
lentamente.
Sigo caminhando e quando chego em
casa percebo que meus bolsos não se encontram mais vazios e sim com doces lembranças. Misturo todas elas
e as admiro como as imagens que um caleidoscópio forma e assim, dou início a
uma nova semana que me reserva muitas surpresas e novidades...

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