segunda-feira, 25 de janeiro de 2016

Ele não sabe...

Por um motivo qualquer, me lembrei dele. Em um vão esforço, tentei desenhar seu rosto em minha memória. Busquei no fundo de minhas lembranças: Era sisudo ou brincalhão? Tímido ou expansivo? Calmo ou agitado? Procurei lembrar-me de alguma frase de efeito sua. Inútil, não consegui...
E então, me coloquei a pensar. Pensar que ele não sabe mais da cor dos meus cabelos, que eu insisto em mudar constantemente.

Não sabe que reencontrei minha amiga de infância. Também não sabe que nunca mais vi aquela amiga que ele tanto implicava.
Tampouco sabe que, finalmente doei aquela saia que ele dizia que ficava estranha em mim.
Ele nem sabe que perdi algumas manias e adquiri outras. Não sabe o quanto tenho me esforçado para ser uma pessoa melhor.
Não sabe dos meus beijos, carícias e abraços que agora pertencem a um novo amor.
Ele sequer imagina que, quando procuro lembrar dele, vem à minha lembrança o meu novo amor. Um amor tão diferente do dele. Um amor calmo, sereno e ao mesmo tempo intenso. Um amor pleno, recíproco. Ah, agora minha lembrança se avivou. Faltou reciprocidade entre nós, caminhávamos em estradas opostas. É estranho, mas é libertador, não lembrar de um grande amor.


Nizamar 25/01/2016

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