sexta-feira, 4 de setembro de 2015

RIP Pequeno Aylan Kurdi



 "Quero que o mundo inteiro nos escute e veja onde chegamos tentando escapar da guerra. Vivo um grande sofrimento. Faço esta declaração para evitar que outras pessoas vivam o mesmo". (Abdullah Kurdi - pai de Aylan)








Na praia, parece que dorme após um dia intenso de brincadeiras à beira do mar. Ah, pequeno Aylan, a praia deveria trazer apenas boas lembranças. Sorvetes, castelos de areia, jogar bola, empinar pipa, refrigerantes, guloseimas, raspadinha...














Mas, não foi assim com você. A praia lhe serviu de adeus ao desespero, às dores, à fome, à guerra. Na beira da praia, a página de sua história foi virada e surgiu a palavra "FIM".








Então pensamos, poderia ser o meu, o seu, o nosso filho. Mas não é! Nossos filhos, nessa tenra idade, dormiram, dormem ou dormirão em limpos lençóis, uma cama macia, com o calor do nosso amor. Terão nossos braços a ampararem, nossas impotências perante os perigos e medos serão insignificantes em relação ao pai, que não pode segurá-los.


E viu, o que nenhum pai desejaria ver; a sua família morrer diante de seus olhos e sua pequenez humana.
Pequeno Aylan, você despertou, em cada um de nós, o sentimento de humanidade.
Sua dor foi a nossa. Estamos indignados, envergonhados porque mesmo diante de tanta evolução tecnológica, a descoberta da cura de tantas doenças, os caminhos se encurtassem com a globalização, ainda há guerras, ceifando vidas inocentes.


Seu pai está cheio de dor, e sua mãe já deve estar com você e seu irmão nos braços. Braços de mãe que aquece, acalanta e enternece em todos os mundos.













Essa era a sua missão; provocar a reflexão, tirar cada um de nosso mundinho egoísta e nos mostrar a triste realidade.
Você me relembrou que não tenho motivo algum para queixas e sim, mil motivos para agradecimentos.


















Esteja em paz nesse mundo que o recebe agora.
Nizamar 04/09/2015


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