"Quero que o mundo inteiro
nos escute e veja onde chegamos tentando escapar da guerra. Vivo um grande
sofrimento. Faço esta declaração para evitar que outras pessoas vivam o
mesmo". (Abdullah Kurdi -
pai de Aylan)
Na praia, parece que dorme após um dia intenso de
brincadeiras à beira do mar. Ah, pequeno Aylan, a praia deveria trazer apenas
boas lembranças. Sorvetes, castelos de areia, jogar bola, empinar pipa, refrigerantes,
guloseimas, raspadinha...
Mas, não foi assim com você. A praia lhe serviu de
adeus ao desespero, às dores, à fome, à guerra. Na beira da praia, a página de
sua história foi virada e surgiu a palavra "FIM".
Então pensamos, poderia ser o meu, o seu, o nosso
filho. Mas não é! Nossos filhos, nessa tenra idade, dormiram, dormem ou
dormirão em limpos lençóis, uma cama macia, com o calor do nosso amor. Terão
nossos braços a ampararem, nossas impotências perante os perigos e medos serão
insignificantes em relação ao pai, que não pode segurá-los.
E viu, o que nenhum pai desejaria ver; a sua família
morrer diante de seus olhos e sua pequenez humana.
Pequeno Aylan, você despertou, em cada um de nós, o
sentimento de humanidade.
Sua dor foi a nossa. Estamos indignados, envergonhados
porque mesmo diante de tanta evolução tecnológica, a descoberta da cura de
tantas doenças, os caminhos se encurtassem com a globalização, ainda há
guerras, ceifando vidas inocentes.
Seu pai está cheio de dor, e sua mãe já deve estar com
você e seu irmão nos braços. Braços de mãe que aquece, acalanta e enternece em
todos os mundos.
Essa era a sua missão; provocar a reflexão, tirar cada
um de nosso mundinho egoísta e nos mostrar a triste realidade.
Você me relembrou que não tenho motivo algum para
queixas e sim, mil motivos para agradecimentos.
Esteja em paz nesse mundo que o recebe agora.
Nizamar 04/09/2015





Perfeito. Você fez do meu sentimento, as suas palavras.
ResponderExcluirObrigada Lili. Beijos.
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