quarta-feira, 6 de julho de 2016

Quando o amor acaba

Ele já não lhe perguntava mais como tinha sido seu dia.
Ela não preparava mais aquele jantar delicioso para ele.
Ele passava o dia inteiro sem lhe mandar uma mensagem.
Ela não fazia mais massagem nele.
Mas, permaneciam juntos por mera comodidade.
Os amigos não percebiam a falta de brilho nos olhos.
Porque também estavam envolvidos no comodismo da rotina.
E viveram infelizes por tanto tempo.
Que nem se lembravam mais o que era ser feliz.
E nem quando ocorreu essa mudança.
Quantas histórias assim?
Quantas pessoas se acomodam na zona de conforto?
Se negam a enxergar a realidade, o óbvio.
Ninguém acorda pela manhã e pensa: o nosso amor acabou!
Não é como abrir um armário e perceber que não tem um mantimento.
E pensar: preciso comprar arroz, pois acabou!
O amor se desgasta nos descasos do outro.
Perde o viço, a beleza porque não foi bem tratado.
Os amores não se acabam quando viramos uma esquina.
Eles morrem atropelados pela pressa.

O amor vai se esgotando como os dias de um calendário.
Vamos riscando os dias findos e sentimos uma espécie de alívio,
Quando trocamos a folha, agora limpa, cheia de perspectivas.
E muitas vezes, é nessa virada do mês que nos sentimos renovados.
Com uma vontade imensa de escrever uma nova história.
Percebemos que já não há mais amor.
Que esgotamos todas possibilidades.
Não há volta, não há como esse amor rejuvenescer.
E você percebe que não usam mais a palavra "nós".
Não somos mais "nós", apenas "eu" ou "você"!
O desgaste tomou conta do relacionamento.
Não há mais desejo algum em lutar em nome do amor.
Aquelas palavras doces, o brilho no olhar, o sorriso fácil...
Não existem mais.
O amor não acaba de repente.
O amor acaba porque permitimos.

Nizamar 30/06/2016



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