quinta-feira, 24 de março de 2016

Senhor dos Pássaros

Oh, senhor dos pássaros.
Liberta-me desse algoz.
Que me prende nessa gaiola.
Sendo que, tendo asas, pertenço ao mundo.
Por que meu senhor, as maritacas passam alegres por esta janela,

Em bandos, livres e eu aqui estou nessa prisão?
Meu dono me dá comida, água e segurança.
Em troca, dou-lhe meu canto.
Mas, ele não percebe que meu canto não é de alegria.
É um lamento.
Eu grito com toda a minha força, a minha dor.
E ele pensa que canto em agradecimento à água e ao alimento.
Porém, senhor dos pássaros, às vezes vejo aves tão grandes no ar.
E, acredite, agradeço por estar na segurança de minha gaiola.
Nasci em uma gaiola, não conheço a liberdade.
Não sou dotado da coragem do beija-flor, que tão pequenino,
Tem o mundo como morada.
Às vezes, ele pousa aqui e me conta histórias lindas,
De lugares maravilhosos e de humanos que o admiram.
E fico imaginando como deve ser lindo e colorido,
O mundo além de meu limitado universo.
Que eu me encha de coragem, na próxima vez que essa gaiola se abrir.
E eu ganhe o mundo.

Saberei voar?
Saberei conquistar meu alimento?
E assim, com tantas dúvidas me acovardo.
E fico nesse minúsculo mundo.
Em meio ao meu medo.
E meu conformismo.

Nizamar 19/03/2016




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