quarta-feira, 30 de janeiro de 2013
A dor de uma mãe
Me deparo com a seguinte manchete de jornal, em um provedor: "Entreguei-os para Deus quando saíram para a boate, diz mãe que perdeu dois filhos no incêndio."
Não vou fazer nenhum comentário a respeito de que estes jovens não deveriam estar lá. Seria, no mínimo, hipócrita de minha parte. Gosto de sair à noite, de dançar, dirigir por nossas estradas nada seguras. E como manter jovens em casa ou ainda, por que mantê-los em casa?
Os argumentos deles serão sempre os mesmos. Se posso me arriscar voltando tarde da noite da faculdade, se corro riscos no caminho do trabalho, se trabalho e estudo, por que não posso me divertir? Se alguma mãe tem essa resposta, e que seja convincente, parabéns! Minha mãe não a encontrou, tampouco eu.
Só uma mãe que tem ou teve filhos adolescentes, jovens, enfim, que aproveitam a noite, e ainda moram com os pais, sabe o quão delicioso é o som da chave virando na porta de entrada da casa. Aquele beijo na testa, avisando que chegou, é o maior dos prêmios que podemos receber. A partir daquele momento, sentimos um sono imenso e dormimos como anjos. Pois sabemos que nossos filhos chegaram inteirinhos.
Porém, todas as mães se utilizam de todas as formas de crenças, enquanto o filho não chega. Quando viajam, que desespero porque não conseguem informar que chegaram bem no destino. Não adianta argumentarem que onde estavam não tem sinal, não aceitamos essa resposta. E depois, quantas vezes tivemos que engolir essa resposta, pois estávamos na mesma situação. Orações, velas, patuás, vale tudo, para termos a certeza de que nossas crias estão bem.
Contudo, sabemos que a vida é uma linha tênue, que pode se romper a qualquer momento, a de nossos filhos, de nossos pais, irmãos, cônjuges, amigos e a nossa, é claro. Talvez, por isso festejamos tanto quando nossos filhos estão em casa.
Se o som da chave que anuncia a chegada dos filhos é uma doce cantiga, o toque do telefone é prenúncio de má notícia. Ficamos revoltados quando alguém ligou por engano, mas lá no fundo, um grande alívio.
E não podemos esquecer do sexto sentido de mãe, esse é o mais alucinante. Praticamente 100% das vezes que ficamos com aquela angústia, um aperto no coração, não é bom sinal. E precisamos controlar essa angústia, fingir que está tudo bem, afinal, vamos deixar que nossos filhos se divirtam um pouco. Controlar o ímpeto de ligar às 03:00 porque acordamos com um nó na garganta, uma vontade descontrolada de chorar.
Muitas vezes, descobri tempos depois o porque daquele sentimento ruim. Já tivemos que sair da cama gostosa, para socorrer filho e amigos que foram vítimas da violência estúpida. Felizmente, nada grave. O saldo foi até positivo, pois aprenderam a ter limites. Começaram a compreender que quando a mamãe e o papai falam, não estão acometidos de neurose e sim, amam os filhos e querem protegê-los.
Apesar do susto, bom mesmo é ouvir a voz de seu filho pedindo ajuda, ao menos, ele está em condições de falar com você. Mas, essa mãe, e todas as mães que perdem seus filhos ainda jovens, todas as mães das vítimas dessa tragédia estúpida que poderia ser evitada, não escutarão mais o barulho da chave anunciando a chegada de seus filhos.
Comentários sobre essa perda, muitos fazem. Alguns são sensíveis o suficiente para dizer que não podem imaginar o tamanho dessa dor. E que não saibam jamais. Essa dor é indescritível, sua vida continua, porque assim deve ser, mas é uma cicatriz que dói mesmo sem ser tocada. O tempo ensina a falar da pessoa como se ela estivesse presente. Quando se chega a esse estágio, é bem mais suave. Ninguém vira mártir quando não está mais nesse plano, a morte não santifica, contudo, nos atemos apenas às coisas boas.
E fico pensando, que bom que esta mãe entregou os filhos a Deus, tomara que estes jovens sejam acolhidos pelo Pai. Pode ser que ela se revolte, porém, sigo vibrando para que essa mãe seja evoluída espiritualmente e compreenda os desígnios de Deus. Não é fácil, mas aceitar torna nosso fardo mais brando.
Procurei não me envolver muito com essa tragédia, notícias assim abalam meu coração, me faz voltar a tudo que passei. A essas famílias, só posso desejar muita paz e luz e que eles tenham, como eu, amigos e familiares maravilhosos que estejam ao lado deles não só nesse momento difícil, mas todo o sempre. (Nizamar Oliveira)
Assinar:
Postar comentários (Atom)
nizamar vc e uma fofa deus te ama muitoooo saiba que vc tem muitos filhos seus alunos eu sou uma dele. tenho carinho enorme por vc *...* não conheço muito mas o pouco que conheço já me faz sentir conforto de uma professora que mas que professora e mãe de todos seus alunos mulher sabia e amiga e aquela que mostra o caminho que ajuda que nos dar força que aprende com alunos e que ensina tambem Deus te ama!
ResponderExcluirQue linda, você minha querida aluna. Obrigada pelo carinho. Deus, de infinita bondade, justiça e sabedoria me doou muitos filhos, meus alunos. Só posso agradecer a Ele por me prover desse privilégio de ser tão querida por vocês.
ExcluirEssa troca de energia que existe entre alunos e eu é enriquecedor, um aprendizado sem fim. Adoro você!
Niza, vc é ímpar! Que delícia tê-la por perto!!
ResponderExcluirObrigada Lili, saudade de você!!!!
Excluir