sexta-feira, 12 de outubro de 2012

Dia das crianças?

Cresci ouvindo a máxima que a infância deve ser bem vivida pois depois que assumimos responsabilidades, trilhamos um caminho sem volta. Ou seja, a infância é uma só, não há volta e não adianta querer lutar contra essa realidade. Interessante essa imposição da sociedade. Sempre fui responsável por meus atos, desde pequenina, meus pais me deixaram evidenciada a lei de ação e reação. Então, eu não tive o direito de ser criança? Claro que tive... Mas, eu sabia que se caísse da bicicleta, a dor seria somente minha, de mais ninguém. Minha mãe cuidaria de meus ferimentos, meu pai me levaria ao hospital para as não poucas fraturas que tive. Entretanto, quem sofria as consequências de um gesso, que parecia eterno em meu corpo, era tão somente eu.
Tive uma infância normal de quem nasceu na década de 60. Andar de bicicleta, carrinho de rolimã, jogar queimada na rua, brincar de amarelinha, casinha, passa anel, beijo abraço ou aperto de mão, barra manteiga, pular corda, lenço atrás, dentre tantas outras brincadeiras. E então, nesse dia das crianças, em que crianças não querem mais ganhar brinquedos, e sim aparelhos eletrônicos para ficarem cada vez mais conectados com o mundo virtual e desconectados da vida real, me ponho a refletir. Deixei de ser criança, só porque tenho muitas atribuições e responsabilidades? Não tenho mais o direito de comemorar a vida, porque sou adulta?
Ser criança é rir até doer a barriga, se acabar no brigadeiro, andar de bicicleta, comer algodão doce, dividir sua felicidade com amigos, se encantar com o novo, amar sem medo de sofrer, se admirar com a natureza, lambuzar os dedos com a cobertura do bolo predileto. Rir e chorar. Brincar e ser sério. Ter coragem e recuar. Se encantar e se entediar. Me deparo com esses sentimentos todos os dias, então porque não comemorar esta data? Às vezes, a correria do dia a dia é tão grande que minha criança interna fica adormecida. Após esse período, que não posso subestimar, visto minha alma com cores alegres, coloco um sorriso maroto em meu rosto, me dispo da rigidez completamente, desperto minha criança e a levo para lugares inusitados, realizo suas fantasias. Me sinto renovada, pronta para momentos de grande responsabilidade.
Hoje, estar com meus sobrinhos, brincar, tirar fotos, rir muito, deixou minha criança interna maravilhada, absurdamente feliz e por isso, afirmarei, minha alma é uma eterna criança que brinca de balanço, se encanta com o mundo e com a vida. Ela tem os olhos de criança, olhos de descoberta, de fascinação. Por isso, não importa a minha idade, e sim, a vontade de despertar a criança a cada amanhecer.
Feliz dia das crianças, para todas as crianças que têm até 110 anos. (Nizamar Oliveira)

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